Mostrar mensagens com a etiqueta António Salvado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Salvado. Mostrar todas as mensagens

9.6.13



ANTÓNIO SALVADO


ODE

Que à nossa volta as coisas permanecem
impuras, ninguém o negará. Caminhos vastos
porém erguem-se audazes pela vida fora
e paralelos em sua directriz à dimensão
real do dia a dia. Caminhos
são essa voz do tempo que chamara
aqui, ali e mais além ainda. Caminhos
são essa nesga de sol que à superfície
do espírito acalenta descobertas.
— Erguidos, pois, que esta manhã permite
com sua jovem seiva o percurso
por onde havemos de correr. Afoitos,
a hora é começar. Dentro de nós existe
o verdadeiro sinal: escolhamos
a cor, que uma cor afinal
teremos de escolher.


(de Difícil Passagem, 1962)

23.4.12

ANTÓNIO SALVADO


A POESIA

Difícil, estreita passagem,
força quente perscrutada,
corpo de névoa, de imagem,
com sulcos de tatuagem,
voz absoluta escutada...

Destino de aranha, tece
com fios vários da vida
alegria se amanhece
ou chora se a luz fenece
pela noite perseguida.

Intimidade exterior,
pureza de impuras formas,
conhecimento e amor,
água límpida, estertor,
sem regras feita de normas.


(de Difícil Passagem, 1962)