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22.10.05

[contributo de um ouvinte dos Clã para o entendimento desta eleição presidencial - a começar pelo nome do cd]

CARLOS TÊ (letra) / HÉLDER GONÇALVES (música)

NOVAS BABILÓNIAS


Neste tempo de sucessos
de quedas e ascensões
para o topo dos topos

para o gelo dos copos
para a vala das gerações
novos Bogarts em velhas gabardines
novas Madonnas em velhas Marilyns
crestam lendas nos magazines
ao ritmo das ilusões

novas Babilónias erguem-se do pó

e lê-se tudo em diagonal
e tudo chega a horas a Portugal
o comboio está agarrado
por fim o tempo está mesmo ao lado
já chegou o Desejado
e o sonho está normalizado
na suave proporção
de um para x elevado a um cifrão


novas Babilónias erguem-se do pó

tudo é novo e velho num vaivém de espuma
tudo se refunde no brilho da bruma
e vós combatentes de guerras idas
contentes lambendo as mãos do rei Midas
Joanas, Joões de arcas perdidas
saltadores de fogueiras já ardidas

cinzas de cinzas de cinzas
bem-vindos ao império das coisas parecidas

novas Babilónias erguem-se do pó

(do álbum lusoqualquercoisa, 1996)

29.4.04

[convocam-se os Clã para a comemoração do dia mundial da dança]

CARLOS TÊ

Não é impossível dançar
mesmo p'ra quem tenha
pé de chumbo
dançar é apenas um modo
mais intenso de existir,
é sentir o tempo do mundo
e deixar-se ir

as ondas, a lua e a chuva
entram na roda também
o tambor do mundo
não exclui ninguém

as coisas não descansam
não desistem
felizes por existir
elas dançam

nas abas do vento
deixam-se ir
sem pensamento
quase a cair
mas sempre no tempo

impondo um quebrado nexo
dos pés às cabeças
tabuada do sexo
Maputo ou Moscovo
Rio ou Pequim
a dança passa por nós
e nós dizemos sim

nas abas do vento
deixa-te ir
sem pensamento
quase a cair
mas sempre no tempo

nas abas do vento
deixar-se ir
sem pensar
quase a cair
mas sempre no tempo

(do álbum Kazoo, de 1997)

28.6.03

CLÃ
[uma banda fantástica na música, nas letras, nos instrumentos e sobretudo na Voz da Manuela Azevedo. Há uma página não oficial. Ficam dois exemplos da sua imaginação delirante.]


DO MESMO CLÃ (versão alternativa)
Letra: Luís G. Claro / Hélder Gonçalves

Nós somos do mesmo clã
(...)
Nós queremos ser citados por uma fonte luminosa
Tomar banho nas margens do erro
Flutuar na banheira de Arquimedes
Meter a ironia do destino na carta para Garcia
E se ele não estiver, esquecê-la num marco histórico

Nós queremos curar o calcanhar de Aquiles
Atingir o princípio de Peter do lado do poente
Subir a escala de Richter numa gôndola
Tocar na buzina do Harpo Marx
Soltar a risada de Bugs Bunny
Conduzir a locomotiva de Pamplinas em direcção ao Futuro

Nós queremos a bengala de Charlot,
O passaporte de Fernão Mendes Pinto,
Comprar cigarros na mesma tabacaria de Fernando Pessoa,
Fugir de uma Fuga de Bach,
Ouvir a voz de Salomão propôr uma amnistia
Para o Otelo de Shakespeare

Nós queremos saber onde param os violinos de Chopin
Nós exigimos saber o porquê do sorriso de Gioconda
Não queremos saber quem são os dois amores
De Marco Polo do Oriente
Muito menos quem matou Laura Palmer
Porque nós não temos medo do SIS
Muito menos de Virginia Woolf


CONCURSO DO MÉTODO
Letra: Carlos Tê

Bem-vindos ao estúdio
onde vai ter lugar
mais uma sessão do concurso do método
mas antes do prelúdio
um breve interlúdio
para a publicidade

Caro telespectador não faça zap
porque nós vamos saber
o olho do grande irmão que em sua casa o vigia
toda a noite, todo o dia
e arrisca-se a perder
o direito de concorrer
ao grande concurso do método

e a pergunta é:
qual é o método que usa para consumir?

sonha por catálogo da t.v. shop
ou prefere atendimento personalizado
faça uma frase, uma prosa, um poema
e você, aí em casa, basta 1 telefonema
e ganha um 1 viagem ao pais dos iglôs,

a Guadalupe, Bermudas e Barbados,
à Lapónia, ao Alaska, aos eternos congelados
e ganha ainda a fantástica
máquina de descascar desejos
... e eis a brilhante vencedora
a D. Berta da Amadora!!!
(O Concurso do Método tem o patrocínio dos
electrodomésticos GRUNFT. Dirija-se a qualquer loja
GRUNFT e adquira já qualquer um dos magníficos
electrodomésticos da gama GRUNFT. GRUNFT com
GRUNFT porque grunfta melhor. GRUNFT!!)

quando passo numa montra onde tudo é tão bonito
entro logo, faço a compra
vejo logo necessito
eu sinto a falta do tudo

ao que é novo não resisto
só estou bem a consumir e se consumo logo existo
é assim quando consumo
o Visa corre entre carris
sinto-me assim não sei como, a modos que leve e feliz
prazer puro, entusiasmo

dura pouco, vai para o lixo
muito perto do orgasmo
muito além do capricho

(E leve ainda 101 contos para pôr no seu porquinho
mealheiro. Mais uma magnífica e inultraprassável oferta
das lojas GRUNFT!)