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15.3.06

[Quaresma na TdA]

E. E. CUMMINGS

sou uma pequena igreja(não uma grande catedral)
longe da opulência e da imundície das apressadas cidades
- não me preocupo se os dias mais breves se tornam brevíssimos,
não tenho pena quando sol e chuva fazem Abril

a minha vida é a vida do ceifeiro e do semeador;
as minhas orações são as orações da terra onde desajeitadas lutam
(encontrando e perdendo e rindo e chorando)as crianças
cuja qualquer tristeza ou alegria é meu tormento e meu aprazimento

à minha volta surge um milagre de incessante
nascer e glória e morte e ressurreição:
sobre o meu ser adormecido flutuam flamejantes símbolos
de esperança,e eu acordo para uma perfeita paciência de montanhas

sou uma pequena igreja(longe do alucinado
mundo com o seu enlevo e angústia)em paz com a natureza
- não me preocupo se as noites mais longas se tornam longuíssimas
não tenho pena quando a calma se torna canto

de inverno a primavera,ergo a minha espiral diminuta para
o misericordioso Ele Cujo único agora é para sempre:
permanecendo erecto na verdade imortal da Sua Presença
(acolhendo humildemente a Sua luz e orgulhosamente as suas trevas)

(in livrodepoemas, tradução de Cecília Rego Pinheiro, Assírio & Alvim, 1999 - original de 95 Poems, 1958)

7.2.04

Faz hoje oito dias, publiquei aqui uma tentativa de tradução de um poema de Cummings.
Este fabuloso poeta é considerado por muitos como intraduzível e quem o lê no original fica exactamente com a sensação de que aquilo tudo só é possível na língua inglesa. E por isso mesmo, creio eu, se sente tanto a vontade de o traduzir.
Inesperadamente, durante a semana, chegaram-me duas novas propostas (ou melhor: contributos) para uma tradução deste poema: da Márcia Maia e da Sandra Costa, sem uma saber da outra.
Parece-me que é isto que é o prazer de ter um blog.

(a da Márcia:)

acima no silêncio do silêncio
verde com uma terra branca dentro

tu(beijar-me)irás

lá fora na manhã na manhã tão
nova com o mundo quente dentro

(beijar-me)tu irás

por entre a luz do sol a bela luz do
sol com um dia claro dentro

tu irás(beijar-me)

no fundo da tua lembrança
e uma lembrança a lembrança

eu(beijar-me)irei.




(a da Sandra:)

subir ao silêncio esse verde
silêncio com uma terra branca dentro

tu vais(beijar-me)sair

para a manhã essa jovem
manhã com mundo morno dentro

(beijar-me)tu vais

entrar na luz do sol essa bela
luz do sol com um dia firme dentro

tu vais(beijar-me

descendo à tua memória e
à memória e memória

de mim)beijar-me(irei)

31.1.04

E. E. CUMMINGS

41

up into the silence the green
silence with a white earth in it

you will(kiss me)go

out into the morning the young
morning with warm world in it

(kiss me)you will go

on into the sunlight the fine
sunlight with a firm day in it

you will go(kiss me

down into your memory and
a memory and memory

i)kiss me(will go)


(de 50 Poems, 1940)


41

subir ao silêncio o verde
silêncio com uma terra branca

tu(beija-me)vais

sair pela manhã a jovem
manhã com o quente mundo nela

(beija-me)tu vais

entrar na luz do sol a bela
luz do sol com um firme dia nela

tu vais(beija-me

descendo à tua memória e
uma memória e memória

eu)beija-me(irei)

(tradução minha)

23.12.03

E. E. CUMMINGS

I


mOOn Over tOwns mOOn
whisper
less creature huge grO
pingness

whO perfectly whO
flOat
newly alOne is
dreamest

oNLY THE MooN o
VER ToWNS
SLoWLY SPRoUTING SPIR
IT

(de No Thanks, 1935 - incluído em Poems 1923-1954, New York, 1968)