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20.6.05

MARGUERITE DURAS

De onde vinha a fascinação, a graça, essa palavra do instante, do Verão, daquela gente? Impossível saber. Eu não sei. Sem dúvida daquela humildade perante a morte, de certo. Mas também daquela indecência. Daquele acontecimento. Do conjunto dessas coisas e de cada uma delas por si só. Sem que se pudesse dizer porquê nem como. Daquele rio também, daquela luz em que tudo banhava, daquela brancura das falésias brancas, esparsa por toda a parte. Da brancura do giz. Das falésias e da espuma. Do azul esbranquiçado das aves marinhas. E também do vento.

(excerto de Emily L., tradução de José Carlos González, Livros do Brasil, 1988)

3.8.04

MARGUERITE DURAS

- Despache-se a falar. Invente.
Ela fez um esforço, falou quase alto no café ainda deserto.
- O que seria preciso era habitar uma cidade sem árvores as árvores gritam quando há vento aqui há sempre sempre à excepção de dois dias por ano no seu lugar está a ver eu iria embora daqui não ficaria aqui todos os pássaros ou quase todos são pássaros do mar que se encontram mortos depois das tempestades e quando a tempestade pára e as árvores deixam de gritar ouvimo-los gritar sobre a praia como degolados isso impede as crianças de dormir não eu ia-me embora.
Ela deteve-se, os olhos ainda fechados pelo medo. Ele olhou-a com uma grande atenção.

(excerto de Moderato Cantabile, 4ª ed.: Difel, 2002 - tradução de Flora Larsson e Ana Paula Laborinho)

24.5.04

A NOTÍCIA DA INVENÇÃO DO ZAPPING

Na sexta-feira, Nebia informou que: "Marguerite Duras tinha o hábito de entrar numa sala de cinema e ver durante dois minutos um filme qualquer. no fim do dia dizia que a sua jornada fora emocionante porque viu uma mulher a chorar, um casal a fazer amor e um homem a morrer,etc."