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31.3.12

FERNANDO ESTEVES PINTO


Improvisas uma forma de aceitação enquanto escreves.
Por exemplo o tempo a semear estacas
em redor do teu pensamento.

Também Ellington sopra pregos harmoniosos
numa intensa dança ao ritmo do medo.

Uma imagem de alicerce a ruir:
tudo o que reúnes na tua loucura.

Como um programa de entretenimento
os rostos fermentados num silêncio ofensivo
os aplausos do desespero quando a razão
é a arte das palavras interiores.

Nenhuma multidão é um antídoto
para os múltiplos rostos que exibes
em confronto com o fragmento feliz.


(de Área Afectada, Temas Originais, 2010)


DUKE ELLINGTON


 


12.6.10

FERNANDO ESTEVES PINTO


A ausência é um desejo do silêncio.
Um encontro incomunicável do corpo com as coisas.
Como escutar os sons do leite na profundidade dos seios.

Libertas o pensamento lentamente à espera do dia.
Vem das sombras crescendo o lugar da dúvida.
Dos olhos começa a distância do caminho.

Aqui nasce o tremor das pálpebras,
os anéis da claridade lenta.
A legibilidade fria do vazio.

Através do contacto físico do corpo
subsiste a impenetrável construção do poema.


(de Área Afectada, Temas Originais, 2010)