Mostrar mensagens com a etiqueta Gastão Cruz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gastão Cruz. Mostrar todas as mensagens

22.3.10

GASTÃO CRUZ

As aves que se movem já não têm
esta vida das folhas apagada
aves apenas mortas e sem nada
que lhes suprima a morte ou dê sequer

o movimento pálido do ar
nelas passando vezes que não é
possível já contar pois tantas vezes
o ar as move que se movem aves

embora no outono já não caiam
folhas ou aves ou talvez só caia
o movimento destas folhas morto

pois é pálido o ar aves e folhas
morrem na seca palidez que o move
e porque os homens não os move o ar

(de As Aves, 1969)

18.6.07

GASTÃO CRUZ

3


Junho é um mês funesto
com o céu coberto
de armas

Da secura de junho
ninguém ainda morre
em cada corpo a boca
envolve os dentes mansos

(de Escassez, 1967)

11.9.06

GASTÃO CRUZ

DEPOIS DE AGOSTO


A imagem do mármore desfaz-se
no mar que representa

Agosto sobrevive O céu encurva
como uma onda a luz

(de As Leis do Caos, 1990)

11.7.06

GASTÃO CRUZ

METÁFORA


Escolho o silêncio assunto antigo para
falar deste domingo: descrevê-los
o silêncio o domingo será como
falar da escuridão e que metáfora
mais certa se as há certas, para a ínfima
luz própria metafórica do dia

A tua voz então vem como nave
a si mesma sulcar-se, na penumbra
tornando-se, não sei se mais igual
ou mais diversa do escuro sentido
do sentido, o tema interrompendo
do poema: o silêncio o domingo

(in Diversos 9 - Primavera de 2006)