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17.2.12

GIÁNNIS RITSOS


A POSTERIORI

Ao ponto a que as coisas chegaram, ninguém – dizemos – tem culpa. Um partiu;
o outro foi morto; os outros – como contá-los agora?
As estações mudam-se regularmente. Os loendros florescem.
A sombra move-se à volta da árvore. A bilha imóvel
ficou à torreira do sol, secou; a água foi-se. Contudo,
podíamos – diz ele – deslocar a bilha, para aqui, para ali,
conforme a hora, e a sombra, à volta da árvore,
girando até encontrarmos o ritmo, dançando, esquecendo
a bilha, a água, a sede – já sem sede, dançando.

20.V.68


(in Antologia, Selecção, Tradução e Prefácio de Custodio Magueijo, Fora do Texto, 1993)

2.9.11

GIÁNNIS RITSOS


O INSACIÁVEL


Insaciável a dar — algumas vezes, até, coisas
que não lhe pertenciam, — como aquela montanha, por exemplo,
cor de malva no crepúsculo, com árvores de esmeralda, gravada
em vapores doirados; ou a sombra da andorinha nas espigas,
ou a forquilha caída, à noite, frente à cancela do jardim,
ou cabelos da bela mulher no acto de dizer "não".
Quanto às suas coisas — quais suas coisas? — não ficava com nenhuma;
Mantinha-se do que dava. E quando, alguma vez,
já nada tinha, cerrava os olhos, esperando
inventar algo muito maior do que ele próprio, e dá-lo.
Precisamente então, sentia que ele era aquele.
22.V.69

(in Antologia, tradução de Custódio Magueijo, Fora do Texto, 1993)

10.5.04

GIÁNNIS RITSOS

Tudo é mistério -
a sombra da pedra
a unha do pássaro
a dobadoira
a cadeira
o poema.

(tradução de Custódio Magueijo, in Antologia, Fora do Texto, 1993)