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22.5.05

[um poema que fica no dia em que o Benfica ganhou o Campeonato]

JORGE DE SOUSA BRAGA

NOS SEMÁFOROS DA RUA DE SANTA CATARINA


Ao menos os teus olhos
permanecem verdes
todo o ano

(de Plano para Salvar Veneza, 1981)

24.4.04

[sejamos ecfrásticos, meu amor - I]



JORGE DE SOUSA BRAGA

René Magritte
OS AMANTES


Desde que Magritte pintou os amantes, estes como por magia deixaram de ter rosto. Nos jardins, nos cinemas, no bulício das ruas é frequente ver agora homens e mulheres sem rosto, abraçados.

Todavia, tudo não passa dum equívoco. Sem dinheiro para pagar aos modelos Magritte optou por cobrir com um lençol o rosto inacabado dos amantes.

(in 365 nº 14 - Abril/Maio de 2004)

16.11.03

[outros melros XI]

JORGE DE SOUSA BRAGA

NINHOS


Dias antes de morrer, acordou com vontade de ir aos ninhos. Tentou levantar-se da cama. Que queria trepar às árvores. Que sabia de um ninho de melro abandonado. Disseram-lhe que a primavera já tinha passado, que as árvores estavam escorregadias, que já não havia árvores, que os pássaros já não sabiam fazer ninhos... Mas ele continuava a insistir. Entrou depois num longo delírio. De vez em quando pronunciava palavras como musgo cor-de-rosa, lama seca, palavras que se foram tornando cada vez mais indistintas. Por último, parece que chilreava.

(de Os Pés Luminosos, 1987)