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30.4.09

MANOEL DE BARROS

O VENTO


Queria transformar o vento.
Dar ao vento uma forma concreta e apta a foto.
Eu precisava pelo menos de enxergar uma parte física
do vento: uma costela, o olho...
Mas a forma do vento me fugia que nem as formas
de uma voz.
Quando se disse que o vento empurrava a canoa do
índio para o barranco
Imaginei um vento pintado de urucum a empurrar a
canoa do índio para o barranco.
Mas essa imagem me pareceu imprecisa ainda.
Estava quase a desistir quando me lembrei do menino
montado no cavalo do vento – que lera em
Shakespeare.
Imaginei as crinas soltas do vento a disparar pelos
prados com o menino.
Fotografei aquele vento de crinas soltas.


(de Ensaios Fotográficos, editora Record, 2000)

5.2.05

MANOEL DE BARROS

POEMA AO ADOLESCENTE RIMBAUD

Sob o enorme casaco roto uma pequena
morte (no arrebol!) tu carregavas.
Uma verde morte.
A morte íngreme dos meninos acrobatas.
(mosto em vasilha nova.)

(in A Nova Poesia Brasileira, organizado por Alberto da Costa e Silva, Escritório de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil em Lisboa, 1960)