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4.7.12


MANUEL ANTÓNIO PINA


4 DE JULHO DE 1965

segundo fontes geralmente bem
os altos interesses nacionais
foi recebido carinhosamen-
pretende para fins matrimoniais

entre os países menbros da otan
as suas provas de doutoramento
sua excelência o presidente da
a conferência do desarmamento

excelentíssimo senhor director
ardilosos amigos do alheio
nosso prezado colaborador
atrasos na entrega do correio

não perca esta excelente ocasião
da santa madre igreja faleceu
resposta em carta à administração
de casa dos seus pais desapareceu


(de Ainda Não é o Fim Nem o Princípio do Mundo Calma é Apenas Um Pouco Tarde, 1974)

16.7.11

MANUEL ANTÓNIO PINA


A QUARTA PORTA


É a solidão
o que o coração procura,
como poderei não
saber o que não sei?

Estou cada vez mais longe de qualquer coisa,
regressarei alguma vez
a tudo o que há-de vir?
O que está atrás de ti

e a tua imagem
que o Futuro persegue.
Este é um lado de tudo
e o outro é o mesmo e o outro.


(de Aquele que quer morrer, 1978 / in Poesia Reunida, Assírio & Alvim, 2001 - documenta poetica)

31.5.07

MANUEL ANTÓNIO PINA

Tanto silêncio


Para cá de mim e para lá de mim, antes e depois.
E entre mim eu, isto é, palavras,
formas indecisas
procurando um eixo que
lhes dê peso, um sentido capaz de conter
a sua inocência
uma voz (uma palavra) a que se prender
antes de se despedaçarem
contra tanto silêncio.
São elas, as tuas palavras, quem diz «eu»;
se tiveres ouvidos suficientemente privados
podes escutar o seu coração
pulsando sob a palavra da tua existência,
entre o para cá de ti e o para lá de ti.
Tu és aquilo que as tuas palavras ouvem,
ouves o teu coração (as tuas palavras «o teu coração»)?

(de Os Livros, Assírio & Alvim, 2003)