Mostrar mensagens com a etiqueta Paulo Jorge Fidalgo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Paulo Jorge Fidalgo. Mostrar todas as mensagens

1.2.15

PAULO JORGE FIDALGO


TEORIA DA RELATIVIDADE

Ah como choram os poetas portugueses d'agora,
como gritam os jovens plumitivos desta época,
corações em sangria e vinho d'alhos,
versos sinistros e chocalhos nos pés.
Oh malvadez, guarda de culpa tanta arte.
Oh musa, não queiras que se acabe o raro uso
de sacrificar em verso coxo o hálito dos deuses.
Cesse tudo aquilo que as porras antigas nos legaram
e deixemos aos séculos meia dúzia de peúgas.
Oh fadas, três remendos valem bem um açafate.

Quanta beleza nestes jovens dados às letras
e à difícil harmonia dos fonemas,
poetas tempestivos e sem hora,
cultores da nova tecnologia do ripanço,
brilhantina gorda na caneta e sebo nas gravatas
ajudam o tal gamanço feito a quatro patas.


(de Síntese Poética da Conjuntura, Hiena Editora, 1993)

17.7.03

PAULO JORGE FIDALGO

S. TOMÉ

Pensámos que sem nós a ilha
não resistiria ao furor do mar.
Ano a ano a dúvida magoou-nos mais.
Levaram-nos a outros portos.
Houve barcos e coisas que recordamos facilmente
com alguma alegria.
À ilha, ponto minúsculo de nossas vidas,
jamais voltámos.
Embora a tenhamos no corpo.

(de Síntese Poética da Conjuntura, Hiena editora, 1993)