Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Gil-Pedro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Gil-Pedro. Mostrar todas as mensagens

26.1.09



O texto
que valter hugo mãe leu no dia 16
na apresentação de
Para que ninguém sobreviva ao perdão,
de Pedro Gil-Pedro
(Cosmorama edições)

17.1.09

PEDRO GIL-PEDRO

Ele radia nas carótidas
com suas alfaias adestradas
pela insânia recolhe

a morte e engole-a

como uma louça baldia
e apaziguadora - o sangue
demolindo-se entre
as pernas.

toda a memória
gera o abandono.

(de Para que ninguém sobreviva ao perdão, Cosmorama edições, 2008)

21.12.08

PEDRO GIL-PEDRO

Rodam devagar as pás do silêncio
como delas manasse um abismo suado,

mas sobre a matriz da neve pendem os bordões do fogo.

de longe veio o declínio da esteva – um círculo fechado
por enigmas.

em breve

haverá um halo de germinação nos açudes e
exausta a poda um arado de novo em desvario.

diante do inverno

movem-se ainda as pás da agonia
apesar dos setenta selos pregados ao sono.

(de animais cheios de movimento no inverno, Quasi edições, 2002 - Uma existência de papel)

21.1.04

PEDRO GIL-PEDRO

Nasceu em Sesimbra, em 1973


Junto ao coração esperam
as filhas insanas do esquecimento.

Tão loucas através dos fios e dos tendões.

No seu perfil suado de lâminas, às vezes.

*

Ante os freios
silvestre matura
o fogo.
Entre a matriz e as varas.
Elas
traçam os círculos fusíveis
em torno do eco.

A pedra cresce.

Assim seja.

(in Alma Azul / revista de artes e ideias, Abril de 2002)


Primeiro as agulhas maduras
o fogo com a inclinação de um cutelo.

e a luz

uma fresta na respiração da umbria.

*

Nos dobres da névoa
já não lateja o pulso dormente

das crias

artesoando vértebra sobre
vértebra as toadas da sede.

mas os nascituros

ignoram o azebre ignoram
as núpcias - vão com adormecidos
num círio.

nada lhes digas

até que rompa de novo a primavera
e a sarça

se espalhe nos lameiros.

*

uma corola de obscuridade

o semeador entrelaça as mãos e o corpo
nos instrumentos da ira e propõe-se

enfim

a lascar o silêncio
por fora

e por dentro

até à fulguração da pedra.

(de animais cheios de movimento no inverno, Quasi edições, 2002 - Uma existência de papel)


Por que cose deus a pedra ao coração
dos alveneres como decifrasse a sua própria
metalurgia

e arrasta o panal de sangue
sobre a corrosão da umbria sobre o hálito
simples e perplexo das caleiras abrindo
pelas costas o esquecimento

por que cose deus rente
ao coração e se alouca com o talento
assente em toda a silha vascular -

com os prumos em riste ao golpear a morte -

por que depõe a réstia de claridade
entre as mós obsessivas se elas já não se
movem

e se cose à pedra

(in saudade - revista de poesia, nº 4 - Junho de 2003)