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11.9.11

RUY VENTURA

presença


a luz desenha no espaço
duas colunas de sombra.
a memória coloca no olhar
duas colunas de fogo
que as asas devolveram
à poeira das origens.
sangue e voo
sobrepõem-se à imagem
obstruindo a presença da luz
na tinta e no coração.
traços e cores
dispensam, no entanto, a linha
do horizonte. na ascensão da tela
restituem, sem matéria,
a presença do edifício –
sem vidro, sem aço
com carne, sangue e memória
na inscrição do mundo.
[WTC de Jorge Martins]

(de  Instrumentos de Sopro, edições Sempre-em-Pé, 2010)


JORGE MARTINS



[sem título], 1975 / 6
acrílico
90x126 cm

23.7.09


O texto de apresentação do livro Chave de ignição (de onde retirei o poema do post anterior), do meu Amigo Ruy Ventura, está acessível.
O Autor é o Poeta João Candeias.
RUY VENTURA

a carne queima a sombra e a memória.
deixa sobre os olhos um traço negro.

a água não consegue lavar a cinza deste corpo,
sem membros, o tronco enegrece sobre a terra,
deixa nas árvores o último grito –
lançado na hora do abate.

que corpo resguardava esta carne?
trago às palavras um nome, um gesto, uma fronteira.
sem vida, o meu olhar descobre nas vísceras
vestígios de saudade
que a tarde não conseguiu matar.

sangue apenas?

coágulos dissolvem o centro da cidade.
o metal atravessa as estrelas,
reconhece na carne os odores da última viagem.

que noite vivo?

a memória enegrece, mas persiste,
escavo o esquecimento.

a fotografia permanece
– calcinando o fogo.

(de Chave de ignição, editora Labirinto, 2009)

15.7.09



Chave de ignição

o novo livro de poesia de
Ruy Ventura,
editado pela Labirinto
vai ser lançado amanhã,
pelas 21h00,
na Biblioteca Municipal de Sesimbra

13.10.08

[(há 40 anos) Bandeira e Pavia morreram no mesmo dia XI]

Sobre Cristovam Pavia, ver ainda a evocação, hoje, de Ruy Ventura, retirada de um seu livro inédito, e uma crónica recente de António Lobo Antunes.

21.4.06

[500 anos depois - 6]

A propósito dos 500 anos do massacre de Lisboa, o meu amigo Ruy Ventura, "católico praticante", publicou no seu blogue, Estrada do Alicerce, um belíssimo poema dedicado a uma sua antepassada, condenada pela Inquisição ao uso do "odioso 'sambenito'", de seu nome Catarina Dias.
Agradeço ao Ruy a beleza do poema e a beleza do testemunho de, sem deixar de afirmar o que é, não renega a árvore genealógica, que para outros seria motivo de humilhação.

11.10.05




RUY VENTURA

memória


mal oiço o som do alaúde em tua casa.
não consigo ver a pomba
voando sobre a cinza,
no sepulcro da ruína e desta alma.
exumei com os olhos
o mosaico que rodeava, talvez, esse coração ?
mergulhado na água e na melodia.

séculos depois, encontro esse rosto
tão cedo escondido.
desenhado no mármore.
como numa fotografia.
esse sorriso escavando a penumbra da nave ?

a iluminação das lágrimas
no interior do vidro.

Mérida - estela funerária de Lutatia Lupata (séc. II d. C.)

(do inédito Habitação do Tempo, gentilmente enviado pelo Autor)