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1.10.13

TIAGO PATRÍCIO


OS FALCÕES PEREGRINOS DO ANTIGO TERRITÓRIO DE NOVA YORK

O chefe índio Dois Pássaros baloiçava as tardes
com a mescalina oferecida pelos Falcões Peregrinos
siameses pela cauda como duas visões do mundo

Um era verde e o outro azul como espinhos
O azul cuspia fogo numa planície da altura das monções
engordava como um dragão a sufocar a terra
e enrolava restos de gente pelo vale estéril

O verde corria pelo golfo à hora de maior calor
deslocava os rios como mulheres nubladas
e quando descia à pátria deixava um hálito fundo
com o lamento de um retornado

O chefe índio perguntou
até onde durava a violência
e quando poderiam voltar àquela terra
E eles disseram coisas indistintas e
falaram do ar pesado durante muito tempo
com as asas um do outro até acabar a mescalina
e começar outra forma de aturdimento



(de O Livro das Aves, Quasi edições, 2009)

21.6.11

TIAGO PATRÍCIO


A CATURRITA DO JARDIM TROPICAL DE BELÉM


Ave que passa
que põe e dispõe da luz
que acorda os corpos
sinónimos em Belém
e repassa pela calçada
como se fosse
a beleza inteligível

Ave exótica que descalça
o jardim pela sombra
onde o Verão excessivo
refulge com o olhar trémulo
e me toca debaixo
dos arbustos insulares

Ave que ofusca e reluz
que esconde e aparenta
os sintomas de penas interiores
e um canto sinóptico
de uma insolência elementar


(de O Livro das Aves, edições Quasi, 2009)