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13.5.08

VERGÍLIO ALBERTO VIEIRA

Uma particularidade distingue, em suma, a subliteratura da literatura: enquanto esta nasce, cresce e morre, aquela nasce e morre, apenasmente.

(de Destino de Orfeu, Livros do Bolso, 1987)

31.5.06

[no dia do "não-fumador" adquiri os Papéis de Fumar, volume da poesia completa de um grande Autor]

VERGÍLIO ALBERTO VIEIRA

NAU PRETA

6


Porque nada parece querer dizer
O nada que alguma coisa sempre diz,
É que, chegada a hora de morrer,
Muito pouco foi tudo o que se quis.

Muito, não digo, o que havia a fazer,
Disse-o ele, aliás, com ar quase feliz,
E, acrescentou, enfim, pra se saber:
Fumar a vida eis o que, na vida, fiz!

Fumador, fumador por profissão
De tabaco d'enrolar, assim, sem pressa,
Comprado em quiosque de estação,

À mesa do café, antes que esqueça,
Tabaco louro que, por qualquer razão,
Fica em cinza nos dedos, isso qu'interessa!

(de A Arte de Perder, in Papéis de Fumar, editora Campo das Letras, 2006)

17.10.05

VERGÍLIO ALBERTO VIEIRA

Arte Poética


1.

Chega a mão
a escrever
negro chega onde
escreve
chega onde chega
a escrever não

2.

Chega ou não
a escrever
não chega onde
chega
escreve onde a negro
escreve a mão

3.

Chega em vão
a escrever
negro escreve onde
chega
quando escreve
escreve não

4.

Chega então a
escrever
não chega negro
a escrever
mão escreve escreve
escreva ou não

(de O Voo da Serpente, Campo das Letras, 2001)