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22.9.10

VINDEIRINHO


g_


de repente ganha vida uma angústia de pedra milen
ar da falta de memória -

grandes espingardas abandonadas em disposição quase gráfica
num salão enorme de pianos de
cauda - uma grinalda de televisões de ecran panorâmico e
uma aparelhagem
dvd

visão de baratas, uma casa abandonada no
edifício do

vento. viemos todos ver o filme, ouvir a
rajada de tiros, os vasos de flores
partidos, andas pela casa ou
vindo a voz das sombras, de

repente e passas a mão pelos meus cabelos - esqueci
me do teu nome, do teu ritmo drum n'
bass. dormes

durante a madrugada, dormes um
milénio deitada no sofá, cansada, com um gato ao colo e a
imagem fica des
focada - olhas pela varanda a paisagem
amanhã poderei acender um cigarro, não fumar um
cigarro, enquanto se conduz o automóvel pela
alameda e hoje é um dia um pouco mais ou
menos como os
outros e as imagens desvanecem como arco-íris fugazes,
apenas o alcatrão de uma estrada em numa viatura seguindo pela
chuva -
um dia um pouco mais ou
menos como os outros
o decreto de lei, os cidadãos virtuais, um
ficheiro em branco que de re

pente

ganha vida a


(de Domésticos, Black Sun editores, 2001)

7.9.03

[gosto muito de inventários XIII]

VINDEIRINHO

f_

os fragmentos da inquietação, facas, copos de corpos de
iogurt vazios que se estão a deitar no caixote do

lixo
de vinho, de vidro, também

vazias, novos materiais, uma praia de mensagens nas
garrafas, sacos
do lixo, vem a

mulher a dias de negro, beatas de cigarros pautadas pelo ritmo
das
mesas e dos cinzeiros.

o frio da ausência de person
agens em espaços cansados cheios de sono. o sofá e a sala des
arrumada. quem

o fumo da substância alquímica, o oiro velhíssimo. a carne
deixada há uma semana
no tacho. frases inacabadas há qto tempo não nos víamos.
cocktail
molotof de convidados. vermelho, azul, amarelo, branco este o de
um silêncio frio e sanguinário de uma pedra de mármore
talhada

depois da morte da festa. uma borboleta que vinda da
janela entra pela casa a dentro

a manhã que tem dificuldade em se levantar na orquídea
do
vaso,
uma luz que entra pelas persianas desta igreja no centro da c
idade antiga
embriagada de talha doirada e de barcos afund

ando

fragmentos de deus e alimentos genéticos nos centros comerci
ais, fra
gmentos de deus na sala de
pois da

morte da festa na arquitectura do
espaço

(de DOMÉSTICOS, Black Sun editores, 2001 - the impossible papers)