[há 25 anos...](...)
ZÉ PEDRO:
Com aquele speed
todo, um gajo estava a tocar e parecia que o tempo nunca mais passava, eu dizia «Muda! Muda!» e passado uns segundos «Acaba, acaba e começa já outra! Não percas muito tempo.» Foi tudo muito confuso!TIM:
A gente a serrar e os gajos do público deviam pensar que era sound-check...
porque nós, mal o gajo que nos foi apresentar disse: «Xutos & Pontapés Rock'n'Roll Band»,
entrámos. Pegámos nos instrumentos e começámos logo. Por fim o Zé Leonel estava tão à toa que saiu pela frente do palco. O Kalu, quando o viu sair, foi-se também embora. Fiquei eu e o Zé Pedro sozinhos... quando reparámos nisso, fomos também embora.ZÉ PEDRO:
A assistência que tinha estado a ouvir, a noite toda, o Rock Around the Clock
e outras coisas similares, ficou estática. Quando acabámos não se ouvia nem uma palma. Nem um assobio. Não se ouviu nada. Eles não devem ter percebido absolutamente nada e o que é verdade é que nós também não.(...)
(excerto de
Conta-me Histórias, de Ana Cristina Ferrão, Assírio & Alvim, 1991 - Rei Lagarto)