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1.4.18

KABIR


A primeira flor a desabrochar
fá-lo com dor
Deixa de ser apenas uma flor
Mil e uma flores se hão-de seguir
sem que nada as impeça
mas nenhuma flor será como essa


(in O Nome Daquele Que Não Tem Nome, versões de Jorge Sousa Braga, Assírio & Alvim, 2016) 

30.7.17

EUNICE DE SOUZA



Os montes rastejam com mercadorias.
Luzes vagarosas volteiam
e descem as arestas escuras
em direcção a uma outra 
cidade térmite.

O deus da rocha vermelha
observa tudo o que se passa.
Falou uma vez.
Os pecados vermelho sangue
são suas testemunhas.

Deus da rocha, sou um peregrino.
Diz-me —
Onde encontra repouso o coração?

***

Não procures a minha vida nestes poemas


Os poemas podem ter ordem, sanidade,
distância estética do detrito.
Tudo o que aprendi com a dor
soube-o sempre,
mas não o pude fazer.




(in Poemas Escolhidos, tradução de Ana Luísa Amaral, Livros Cotovia, 2001)

25.10.11


RABINADRANATH TAGORE


O CAMINHANTE

Não me perguntes
O que é salvação
Ou onde a encontrar,
Não sou investigador, mas apenas poeta...
Vivo agarrado a esta terra.
Perante mim corre o rio da vida...
Levando na sua corrente
Luz e sombra, bem e mal,
Ganhos e perdas, lágrimas e risos,
Coisas que se entrelaçam
E se esquecem!
Sobre as suas águas
A manhã chega em profundos matizes,
O ocaso estende o seu véu carmesim,
E os raios lunares caem como o suave tacto de uma mãe.
Na noite escura
As estrelas elevam as suas orações;
Sobre as suas ondas
A madhuri oferece os seus dons,
E as aves soltam os seus cantos.
Quando ao ritmo das ondas
Silencioso dança o meu coração
Então nesse ritmo
Estão os meus limites e a minha liberdade.
Não desejo conservar nada
Nem apegar-me a nada.
Desatando os nós da união e da separação,
Quero flutuar com o Todo
Içando as minhas velas ao vento que paira.

Oh, grande Caminhante!
Para ti abrem-se os dez caminhos
Nos confins da terra,
E não tens templo, nem céu,
Nem limite final.
A cada passo tocas o chão sagrado.
Caminhando a teu lado, oh, Incansável!
Encontro a salvação
No tesouro do caminho.
Em luz e sombra,
Nas páginas sempre novas da criação,
Em cada novo instante de dissolução
Ouve-se o ritmo das tuas danças e canções.


(in Poesia, tradução de José Agostinho Baptista, Assírio & Alvim, 2004 – documenta poetica