A liturgia não podia estar mais de acordo com os festejos centenários benfiquistas. Hoje na Missa ouvimos o Salmo 90, onde está a passagem:
Poderás andar sobre víboras e serpentes,
calcar aos pés o leão e o dragão.
29.2.04
28.2.04
PEDRO TAMEN
11
Agora os montes descem vagarosamente em veredas sem limites,
para o rio, para o mar, para a cidade. E, calmos entre os tojos,
levantam-se os perfumes, os incensos, as multidões de estrelas que se acendem.
Agora desce o sangue por baixo das oferendas, agora vem
mais largo e mais possante abraço, alaga tudo.
Agora aqui, Senhor, eis o sangue do Homem, o sangue do Filho,
eis que se derrama e entra pelas ruas,
vem do monte,
desce para as caves.
E nunca mais esqueceremos o líquido, nunca mais!
Eis que se passou aos nossos braços e nos dilata os corpos,
eis que se constrói corre pelo dentro, em rio inacabável
que nunca mais bebemos, se vai esconder em nós e liga
coisas que não sabemos, sangue que nunca cabe.
(de O Sangue, a Água e o Vinho, 1958)
11
Agora os montes descem vagarosamente em veredas sem limites,
para o rio, para o mar, para a cidade. E, calmos entre os tojos,
levantam-se os perfumes, os incensos, as multidões de estrelas que se acendem.
Agora desce o sangue por baixo das oferendas, agora vem
mais largo e mais possante abraço, alaga tudo.
Agora aqui, Senhor, eis o sangue do Homem, o sangue do Filho,
eis que se derrama e entra pelas ruas,
vem do monte,
desce para as caves.
E nunca mais esqueceremos o líquido, nunca mais!
Eis que se passou aos nossos braços e nos dilata os corpos,
eis que se constrói corre pelo dentro, em rio inacabável
que nunca mais bebemos, se vai esconder em nós e liga
coisas que não sabemos, sangue que nunca cabe.
(de O Sangue, a Água e o Vinho, 1958)
27.2.04
RUY BELO
ÚLTIMA VONTADE
Quando a sereia se ouvir
no coração desolado como uma cidade
recorda que te procurámos através das árvores
E tu escondias-te por trás dos frutos
e recolhíamos as mãos
cheias apenas de tempo
Sempre brincaste connosco
desde os dias da nossa juventude
Puseste-nos nos olhos
estação sobre estação e a vida dava as mãos
de árvore para árvore à volta da terra
Ia de ramo morto para ramo vivo
como um pássaro mais e nós ríamos
na tua transparência
Fechem-se-te agora os lábios
sobre a palavra que somos
Perdoa se algum dia
errámos com o coração
Não nos deixes morrer longe de jerusalém
(de Aquele Grande Rio Eufrates, 1961/1972)
ÚLTIMA VONTADE
Quando a sereia se ouvir
no coração desolado como uma cidade
recorda que te procurámos através das árvores
E tu escondias-te por trás dos frutos
e recolhíamos as mãos
cheias apenas de tempo
Sempre brincaste connosco
desde os dias da nossa juventude
Puseste-nos nos olhos
estação sobre estação e a vida dava as mãos
de árvore para árvore à volta da terra
Ia de ramo morto para ramo vivo
como um pássaro mais e nós ríamos
na tua transparência
Fechem-se-te agora os lábios
sobre a palavra que somos
Perdoa se algum dia
errámos com o coração
Não nos deixes morrer longe de jerusalém
(de Aquele Grande Rio Eufrates, 1961/1972)
[SONETOS À SEXTA-FEIRA]
RUY BELO
ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DA MAÇÃ
À sombra desta árvore recente-
mente nascida só de imaginá-la
outra vez volto incorrigivelmente
e em antigas águas molho a fala
Saúdo as novas folhas como quem
nas folhas tem a vida permitida
Meta mente física consagrem
os poetas a termos vozes de partida
Loucura podre perto de Setembro
marmóreo mar em que a vista é adunca
países confundidos não me lembro
da pátria que pariu cada lembrança
e cresce organizada na criança
madura mate mais maçã que nunca
(da sequência Tempo Duvidoso)
O JOGADOR DO PIÃO
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos - tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Rasga o espaço num gesto ríspido de vida
Reergue o braço a prumo, arrisca - nessa roda
possível da maçã ao muro - a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? - Nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada:
que a vida arrebatada aos demais olhos seja
ao comprido coberta pelo chão da igreja
E Abril traz o Senhor até esse esquece
o operário inútil imolado à messe
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
I
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos - tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Joga tudo no gesto ríspido de vida
Reergue o braço a prumo, arrisca nessa roda
riscada entre parede e tronco a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada
e que esta vida extensa para sempre seja
- será? - tão bem coberta que nem Deus a veja
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
II
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
O pátio gira, a mão que pega no pião
disputará um dia o chão à folha solta
Joga tudo no gesto ríspido de vida
Levanta o braço a prumo, arrisca nessa roda
riscada nesse chão a tua infância toda
tudo é redondo e volta ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? Nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada
e que a vida que esqueço - a ser possível - seja
coberta de torrão, que Deus mesmo a não veja
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
III
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Joga tudo no gesto ríspido de vida
Reergue o braço a prumo, arrisca - nessa roda
riscada entre parede e tronco - a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada
e que esta pobre vida para sempre seja
- Vê lá! - tão bem coberta que nem Deus a veja
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
IV
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos, tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Rasga o espaço num gesto ríspido de vida
reergue o braço a prumo, arrisca - nessa roda
possível da maçã ao muro - a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? - Nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada:
que a vida arrependida, a ser possível, seja
invisível a Deus, torrão para uma igreja
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
V
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos, tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Rasga o espaço num gesto ríspido de vida
Reergue o braço a prumo, arrisca - nessa roda
possível da maçã ao muro - a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? - Nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada:
que a vida arrebatada aos demais olhos seja
ao comprido coberta pelo chão da igreja
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
VI
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos - tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Rasga o espaço num gesto ríspido de vida
Reergue o braço a prumo, arrisca - nessa roda
possível da maçã ao muro - a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? - Nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada:
coisa coberta pelo chão de alguma igreja
talvez nem mesmo Deus passando a veja
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
VII
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos - tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Rasga o espaço num gesto ríspido de vida
Reergue o braço a prumo, arrisca - nessa roda
possível da maçã ao muro - a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? - Nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada:
Passa o proprietário e já não reconhece
talvez o operário inútil sob a messe
(da sequência O Testamento de Elvira Sanches)
(de Boca Bilingue, 1966)
RUY BELO
ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DA MAÇÃ
À sombra desta árvore recente-
mente nascida só de imaginá-la
outra vez volto incorrigivelmente
e em antigas águas molho a fala
Saúdo as novas folhas como quem
nas folhas tem a vida permitida
Meta mente física consagrem
os poetas a termos vozes de partida
Loucura podre perto de Setembro
marmóreo mar em que a vista é adunca
países confundidos não me lembro
da pátria que pariu cada lembrança
e cresce organizada na criança
madura mate mais maçã que nunca
(da sequência Tempo Duvidoso)
O JOGADOR DO PIÃO
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos - tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Rasga o espaço num gesto ríspido de vida
Reergue o braço a prumo, arrisca - nessa roda
possível da maçã ao muro - a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? - Nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada:
que a vida arrebatada aos demais olhos seja
ao comprido coberta pelo chão da igreja
E Abril traz o Senhor até esse esquece
o operário inútil imolado à messe
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
I
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos - tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Joga tudo no gesto ríspido de vida
Reergue o braço a prumo, arrisca nessa roda
riscada entre parede e tronco a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada
e que esta vida extensa para sempre seja
- será? - tão bem coberta que nem Deus a veja
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
II
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
O pátio gira, a mão que pega no pião
disputará um dia o chão à folha solta
Joga tudo no gesto ríspido de vida
Levanta o braço a prumo, arrisca nessa roda
riscada nesse chão a tua infância toda
tudo é redondo e volta ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? Nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada
e que a vida que esqueço - a ser possível - seja
coberta de torrão, que Deus mesmo a não veja
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
III
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Joga tudo no gesto ríspido de vida
Reergue o braço a prumo, arrisca - nessa roda
riscada entre parede e tronco - a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada
e que esta pobre vida para sempre seja
- Vê lá! - tão bem coberta que nem Deus a veja
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
IV
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos, tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Rasga o espaço num gesto ríspido de vida
reergue o braço a prumo, arrisca - nessa roda
possível da maçã ao muro - a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? - Nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada:
que a vida arrependida, a ser possível, seja
invisível a Deus, torrão para uma igreja
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
V
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos, tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Rasga o espaço num gesto ríspido de vida
Reergue o braço a prumo, arrisca - nessa roda
possível da maçã ao muro - a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? - Nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada:
que a vida arrebatada aos demais olhos seja
ao comprido coberta pelo chão da igreja
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
VI
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos - tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Rasga o espaço num gesto ríspido de vida
Reergue o braço a prumo, arrisca - nessa roda
possível da maçã ao muro - a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? - Nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada:
coisa coberta pelo chão de alguma igreja
talvez nem mesmo Deus passando a veja
VARIAÇÕES SOBRE «O JOGADOR DO PIÃO»
VII
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos - tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Rasga o espaço num gesto ríspido de vida
Reergue o braço a prumo, arrisca - nessa roda
possível da maçã ao muro - a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? - Nada
Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada:
Passa o proprietário e já não reconhece
talvez o operário inútil sob a messe
(da sequência O Testamento de Elvira Sanches)
(de Boca Bilingue, 1966)
26.2.04
Começou ontem a Quaresma.
Ao impôr-me as cinzas o padre disse: "converte-te e acredita no Evangelho".
Também a ele, antes, foram impostas cinzas e dito o mesmo.
Também o Papa, em Roma, recebeu as cinzas e foi exortado à conversão e a acreditar no Evangelho.
Nós, cristãos, mais que os ímpios, precisamos disto.
Ao impôr-me as cinzas o padre disse: "converte-te e acredita no Evangelho".
Também a ele, antes, foram impostas cinzas e dito o mesmo.
Também o Papa, em Roma, recebeu as cinzas e foi exortado à conversão e a acreditar no Evangelho.
Nós, cristãos, mais que os ímpios, precisamos disto.
24.2.04
ALGUMAS MODAS DO ENTRUDO
Ó entrudo, ó entrudo
Ó entrudo chocalheiro
Que não deixas assentar
As mocinhas ao soalheiro
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Que no monte é que eu estou bem
Que no monte é que eu estou bem
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Onde não veja ninguém,
Que no monte é que eu estou bem
Estas casas são caiadas
Estas casas são caiadas
Quem seria a caiadeira
Quem seria a caiadeira
Foi o noivo mais a noiva
Foi o noivo mais a noiva
Com o ramo de laranjeira,
Quem seria a caiadeira
(versão interpretada por José Afonso no seu álbum Traz outro amigo também, de 1970)
Eu quero ir para o monte
Quero ir para o monte
Que no monte é que eu estou bem
Que no monte é que eu estou bem
Eu quero ir para o monte
Quero ir para o monte
Que no monte é que eu estou bem
Onde não tenha ninguém
Estas casas estão caiadas
As casas estão caiadas
Quem seria a caiadeira
Quem seria a caiadeira
Foi o noivo mais a noiva
O noivo mais a noiva
Com um ramo de laranjeira
Quem seria a caiadeira
_________________________
Ó entrudo, ó entrudo, ó entrudo chocalheiro
Ó entrudo chocalheiro
Não deixas parar as moças sentadas ao soalheiro
Sentadas ao soalheiro
Moleirinha dá-me um homem se ele não fora velhaco
Se ele não fora velhaco
Quando vai para o Inferno, leva-me aqui ele no saco
Leva-me aqui ele no saco
Moleirinha dá-me um homem se ele não fora ladrão
Se ele não fora ladrão
Quando vai para o Inferno, leva-me aqui ele na mão
Leva-me aqui ele na mão
Meus senhores vai o entrudo, cachopas deixai-o i
Cachopas deixai-o ir
Daqui a sete semanas o entrudo torna a vir
O entrudo torna a vir
(versões interpretadas por Zeca Medeiros e pelo coro Cramol, no CD Cantigas de Amigos, projecto colectivo de 1999, acompanhadas da seguinte nota:
"Duas versões acopladas desta famosa moda (canção) beirã. A segunda versão é bastante desconhecida e contrasta com o ambiente da primeira")
Tónio Sacoto,
Que lá está ao canto, (bis)
Dá-lhe lá um lenço
Que se baba tanto. (bis)
Entre as numerosas letras com que se canta esta cantiga do Entrudo, consignemos, como mais curiosas, as seguintes:
Tónio Sacoto,
Foi ao Ladoeiro, (bis)
A comprar laranjas,
Não tinha dinheiro. (bis)
Chamais ao um velho,
Tôco de oliveira (bis)
Cheio de formigas,
Não há quem o queira. (bis)
O velho m disse
Que fosse com ele (bis)
A levar as vacas
Junto ao Valverde. (bis)
Tónio Sacoto,
Tem umas cuecas, (bis)
Que as ganhou ele
A guardar marrecas. (bis)
(recolha de Michel Giacometti e de Fernando Lopes-Graça, incluída no disco relativo às Beiras da colecção Portuguese Folk Music, editada em CD pela Strauss, em 1998, integrado no "Projecto discográfico do Ministério da Cultura")
O TEMPO DO ENTRUDO
O tempo do entrudo
É um tempo louco
Faz sair as velhas
Fora dos "atoucos"
E não sei se é por ser
As voltas do entrudo,
Acho o meu amor
Demudado em tudo.
Demudado em tudo
Demudado em nada;
Não sei se é por ser
Voltas d'entruda(da).
Algum dia era eu
E agora já não,
Da tua roseira
(E) o melhor botão.
E não sei se é por ser
As voltas do entrudo,
Acho o meu amor
Demudado em tudo.
Demudado em tudo
Demudado em nada;
Não sei se é por ser
Voltas d'entruda(da).
(Granja de Mourão)
(recolha de Michel Giacometti e de Fernando Lopes-Graça, incluída no disco relativo ao Alentejo da colecção atrás referida)
Lá em baixo está o entrudo
De gordo não pode andar
De gordo não pode andar
Que comeu um burro morto
Entre o almoço e o jantar
De gordo não pode andar
Ó entrudo, ó entrudo
Ó entrudo chocalheiro
Que não deixas assentar
As mocinhas ao soalheiro
Ó entrudo chocalheiro
Estas casas são caiadas
Estas casas são caiadas
Quem seria a caiadeira
Foi o noivo mais a noiva
Com um ramo de laranjeira
Quem seria a caiadeira
Cá em baixo vai o entrudo
Em farrapos pelo chão
Que comeu um burro morto
Entre o Inverno e o Verão
Em farrapos pelo chão
O entrudo foi á vila
Já não quer de lá sair
Caiu dentro duma pipa
Dá-lhe a mão que quer subir
Já não quer de lá sair
(incluída no álbum de José Afonso, Galinhas do Mato, de 1985 - interpretada por Janita Salomé)
Ó entrudo, ó entrudo
Ó entrudo chocalheiro
Que não deixas assentar
As mocinhas ao soalheiro
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Que no monte é que eu estou bem
Que no monte é que eu estou bem
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Onde não veja ninguém,
Que no monte é que eu estou bem
Estas casas são caiadas
Estas casas são caiadas
Quem seria a caiadeira
Quem seria a caiadeira
Foi o noivo mais a noiva
Foi o noivo mais a noiva
Com o ramo de laranjeira,
Quem seria a caiadeira
(versão interpretada por José Afonso no seu álbum Traz outro amigo também, de 1970)
Eu quero ir para o monte
Quero ir para o monte
Que no monte é que eu estou bem
Que no monte é que eu estou bem
Eu quero ir para o monte
Quero ir para o monte
Que no monte é que eu estou bem
Onde não tenha ninguém
Estas casas estão caiadas
As casas estão caiadas
Quem seria a caiadeira
Quem seria a caiadeira
Foi o noivo mais a noiva
O noivo mais a noiva
Com um ramo de laranjeira
Quem seria a caiadeira
_________________________
Ó entrudo, ó entrudo, ó entrudo chocalheiro
Ó entrudo chocalheiro
Não deixas parar as moças sentadas ao soalheiro
Sentadas ao soalheiro
Moleirinha dá-me um homem se ele não fora velhaco
Se ele não fora velhaco
Quando vai para o Inferno, leva-me aqui ele no saco
Leva-me aqui ele no saco
Moleirinha dá-me um homem se ele não fora ladrão
Se ele não fora ladrão
Quando vai para o Inferno, leva-me aqui ele na mão
Leva-me aqui ele na mão
Meus senhores vai o entrudo, cachopas deixai-o i
Cachopas deixai-o ir
Daqui a sete semanas o entrudo torna a vir
O entrudo torna a vir
(versões interpretadas por Zeca Medeiros e pelo coro Cramol, no CD Cantigas de Amigos, projecto colectivo de 1999, acompanhadas da seguinte nota:
"Duas versões acopladas desta famosa moda (canção) beirã. A segunda versão é bastante desconhecida e contrasta com o ambiente da primeira")
Tónio Sacoto,
Que lá está ao canto, (bis)
Dá-lhe lá um lenço
Que se baba tanto. (bis)
Entre as numerosas letras com que se canta esta cantiga do Entrudo, consignemos, como mais curiosas, as seguintes:
Tónio Sacoto,
Foi ao Ladoeiro, (bis)
A comprar laranjas,
Não tinha dinheiro. (bis)
Chamais ao um velho,
Tôco de oliveira (bis)
Cheio de formigas,
Não há quem o queira. (bis)
O velho m disse
Que fosse com ele (bis)
A levar as vacas
Junto ao Valverde. (bis)
Tónio Sacoto,
Tem umas cuecas, (bis)
Que as ganhou ele
A guardar marrecas. (bis)
(recolha de Michel Giacometti e de Fernando Lopes-Graça, incluída no disco relativo às Beiras da colecção Portuguese Folk Music, editada em CD pela Strauss, em 1998, integrado no "Projecto discográfico do Ministério da Cultura")
O TEMPO DO ENTRUDO
O tempo do entrudo
É um tempo louco
Faz sair as velhas
Fora dos "atoucos"
E não sei se é por ser
As voltas do entrudo,
Acho o meu amor
Demudado em tudo.
Demudado em tudo
Demudado em nada;
Não sei se é por ser
Voltas d'entruda(da).
Algum dia era eu
E agora já não,
Da tua roseira
(E) o melhor botão.
E não sei se é por ser
As voltas do entrudo,
Acho o meu amor
Demudado em tudo.
Demudado em tudo
Demudado em nada;
Não sei se é por ser
Voltas d'entruda(da).
(Granja de Mourão)
(recolha de Michel Giacometti e de Fernando Lopes-Graça, incluída no disco relativo ao Alentejo da colecção atrás referida)
Lá em baixo está o entrudo
De gordo não pode andar
De gordo não pode andar
Que comeu um burro morto
Entre o almoço e o jantar
De gordo não pode andar
Ó entrudo, ó entrudo
Ó entrudo chocalheiro
Que não deixas assentar
As mocinhas ao soalheiro
Ó entrudo chocalheiro
Estas casas são caiadas
Estas casas são caiadas
Quem seria a caiadeira
Foi o noivo mais a noiva
Com um ramo de laranjeira
Quem seria a caiadeira
Cá em baixo vai o entrudo
Em farrapos pelo chão
Que comeu um burro morto
Entre o Inverno e o Verão
Em farrapos pelo chão
O entrudo foi á vila
Já não quer de lá sair
Caiu dentro duma pipa
Dá-lhe a mão que quer subir
Já não quer de lá sair
(incluída no álbum de José Afonso, Galinhas do Mato, de 1985 - interpretada por Janita Salomé)
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Popular,
Portuguesa
23.2.04
JOSÉ AFONSO
SOU DUMA VAGA PÁTRIA CARINHOSA
Sou duma vaga pátria carinhosa
A de sempre me ver filho das dunas
Molhando os pés no frio das espumas
Carpa mordaça toldo mariposa
Velho litígio rompe das entranhas
(Saí ainda novo das escolas)
Bonzo que me ensinou a ver as horas
À beira rio me contou patranhas
Eu sempre tenho dito tenho dito
Que já não se ouvem pássaros como outrora
A gaivota não vem à luz da aurora
Soltar o seu estranho e agudo grito
Tenho uma pátria póstuma de grilos
(Tu descias amor uma alameda)
Caem-me em cima cheiros de alfazema
Duas gotas de chuva nos mamilos
(incluído em Textos e Canções - org. e notas de J. H. Santos Barros, 2ª ed: Assírio & Alvim, 1988)
SOU DUMA VAGA PÁTRIA CARINHOSA
Sou duma vaga pátria carinhosa
A de sempre me ver filho das dunas
Molhando os pés no frio das espumas
Carpa mordaça toldo mariposa
Velho litígio rompe das entranhas
(Saí ainda novo das escolas)
Bonzo que me ensinou a ver as horas
À beira rio me contou patranhas
Eu sempre tenho dito tenho dito
Que já não se ouvem pássaros como outrora
A gaivota não vem à luz da aurora
Soltar o seu estranho e agudo grito
Tenho uma pátria póstuma de grilos
(Tu descias amor uma alameda)
Caem-me em cima cheiros de alfazema
Duas gotas de chuva nos mamilos
(incluído em Textos e Canções - org. e notas de J. H. Santos Barros, 2ª ed: Assírio & Alvim, 1988)
JOSÉ AFONSO
Sou um homem comum e não quero que me transformem numa vedeta.
(...)
As pessoas estão contaminadas por um gosto que lhes é fornecido, que lhes é imposto e fixa, na verdade, as preferências da maioria. Torna-se urgente reagir, contribuir para uma higienização desse gosto.
(...)
Encaro tudo por um prisma bastante lúdico. Estou sempre a pensar que, em breve, deixarei de cantar para fazer outra coisa qualquer. De resto, dedico-me a música com menos gosto do que, por exemplo, ao desporto.
(excertos de entrevista concedida a Daniel Ricardo e a Cáceres Monteiro, publicada em Cena 7, suplemento de A Capital, em 26 de Dezembro de 1970)
JCV - (...) tu és uma espécie de vedeta antivedeta. Isso é só natural, ou também cultivas um bocado esse ar e certo tipo de atitudes?
JA - Se queres que te diga, já nem sei. Na minha idade achas que existe alguma coisa completamente natural? Quando somos obrigados a reflectir sobre alguma coisa que à partida fazemos, ficamos cheios de dúvidas. A princípio abria as goelas e cantava... Depois começamos a reflectir. Aliás, aqui temos muita tendência para isso. Esta necessidade que temos d nos abastecer teoricamente, julgo que não a encontramos, por exemplo, nos cantores brasileiros - que, se calhar fazem coisas melhores que nós...
JCV - Continuas a não saber música?
JA - Continuo.
JCV - Como consegues então compor as músicas digamos, mais ricas, elaboradas, de certo modo complexas, dos teus últimos discos?
JA - São coisas que em parte estão na minha cabeça e noutra resultam da colaboração de pessoas que têm muito gosto e muito ouvido - uma delas é o Fausto, outra o Júlio Pereira, que tem percebido muito bem o meu trabalho. Faço uma espécie de estruturas mentais primárias e depois vou-as combinando.
(excertos de entrevista concedida a José Carlos Vasconcelos, publicada no jornal Se7e, em 22 de Abril de 1980)
Sou um homem comum e não quero que me transformem numa vedeta.
(...)
As pessoas estão contaminadas por um gosto que lhes é fornecido, que lhes é imposto e fixa, na verdade, as preferências da maioria. Torna-se urgente reagir, contribuir para uma higienização desse gosto.
(...)
Encaro tudo por um prisma bastante lúdico. Estou sempre a pensar que, em breve, deixarei de cantar para fazer outra coisa qualquer. De resto, dedico-me a música com menos gosto do que, por exemplo, ao desporto.
(excertos de entrevista concedida a Daniel Ricardo e a Cáceres Monteiro, publicada em Cena 7, suplemento de A Capital, em 26 de Dezembro de 1970)
JCV - (...) tu és uma espécie de vedeta antivedeta. Isso é só natural, ou também cultivas um bocado esse ar e certo tipo de atitudes?
JA - Se queres que te diga, já nem sei. Na minha idade achas que existe alguma coisa completamente natural? Quando somos obrigados a reflectir sobre alguma coisa que à partida fazemos, ficamos cheios de dúvidas. A princípio abria as goelas e cantava... Depois começamos a reflectir. Aliás, aqui temos muita tendência para isso. Esta necessidade que temos d nos abastecer teoricamente, julgo que não a encontramos, por exemplo, nos cantores brasileiros - que, se calhar fazem coisas melhores que nós...
JCV - Continuas a não saber música?
JA - Continuo.
JCV - Como consegues então compor as músicas digamos, mais ricas, elaboradas, de certo modo complexas, dos teus últimos discos?
JA - São coisas que em parte estão na minha cabeça e noutra resultam da colaboração de pessoas que têm muito gosto e muito ouvido - uma delas é o Fausto, outra o Júlio Pereira, que tem percebido muito bem o meu trabalho. Faço uma espécie de estruturas mentais primárias e depois vou-as combinando.
(excertos de entrevista concedida a José Carlos Vasconcelos, publicada no jornal Se7e, em 22 de Abril de 1980)
JOSÉ AFONSO
A MINHA VOZ NÃO OUVE A VOZ DO VENTO
A minha voz não ouve a voz do vento
A minha mão não sente a mão que sinto
Os meus olhos não vêem o que eu vejo
Desisto e invejo o que me dá alento
Seduzo-me a tentar mas não me tento
Pretendo-me sem dar-me o pretendido
Se busco perco-me onde não há p'rigo
Nutro de olvido com que me sustento
Se por aqui não venho ali não sigo
O que me traz por cá foi-me esquecendo
Desfaço o feito e faço o presumido
Nada consigo o nisto vou cedendo
Nisto prossigo e nisto me entendendo
(A voz de bronze que me traz consigo)
Ó minha amada vê como estou vendo
Ceia também comigo ó um amigo
(incluído em Textos e Canções - org. e notas de J. H. Santos Barros, 2ª ed: Assírio & Alvim, 1988)
A MINHA VOZ NÃO OUVE A VOZ DO VENTO
A minha voz não ouve a voz do vento
A minha mão não sente a mão que sinto
Os meus olhos não vêem o que eu vejo
Desisto e invejo o que me dá alento
Seduzo-me a tentar mas não me tento
Pretendo-me sem dar-me o pretendido
Se busco perco-me onde não há p'rigo
Nutro de olvido com que me sustento
Se por aqui não venho ali não sigo
O que me traz por cá foi-me esquecendo
Desfaço o feito e faço o presumido
Nada consigo o nisto vou cedendo
Nisto prossigo e nisto me entendendo
(A voz de bronze que me traz consigo)
Ó minha amada vê como estou vendo
Ceia também comigo ó um amigo
(incluído em Textos e Canções - org. e notas de J. H. Santos Barros, 2ª ed: Assírio & Alvim, 1988)
22.2.04
Tal como foi informado aqui ao lado, faremos, de seguida, uma visita guiada a esta biblioteca:
ABDEL KARIM AKKUM
ADÉLIA PRADO
ÁLAMO DE OLIVEIRA
Cardeal ALEXANDRE DO NASCIMENTO
ANA MARQUES GASTÃO
ÁNGEL CRESPO
ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY
Frei ANTÓNIO DAS CHAGAS
ANTÓNIO FERREIRA
ANTONIO GAMONEDA
ANTÓNIO OSÓRIO
ARTUR JORGE
AUGUSTO OLIVEIRA MENDES
um poema de BASHÔ com várias versões
BORJA DA COSTA
CARL SANDBURG
CHICO BUARQUE
CÍCERO
CLÃ
COSTA ALEGRE
DANIEL FARIA
EDUARDA TAVARES
EDUARDO GUERRA CARNEIRO
EMANUEL JORGE BOTELHO
ERASMO
EVA RUIVO
FANCISCO BRINES
FERNANDO GUIMARÃES
FERNANDO SYLVAN
FRANCISCO JOSÉ TENREIRO
FRANCISCO JOSÉ VIEGAS
FRANK O'HARA
GIACOMO LEOPARDI
HÁN YÚ
HAROLDO DE CAMPOS
HASSAN ABDALLAH AL-QORACHI
IRENE LISBOA
IVONE CHINITA
JOÃO APARÍCIO
JOÃO CABRAL DE MELO NETO
JOÃO LIMA PINHARANDA
JOÃO MIGUEL FERNANDES JORGE
JOAQUIM BENITE
JORGE LISTOPAD
JORGE DE SENA ("1888 e a poesia" e "A literatura portuguesa como sermão da quaresma")
JOSÉ ALEXANDRE GUSMÃO
JOSÉ BAÇÃO LEAL
JOSÉ BLANC DE PORTUGAL
JOSÉ MÁRIO SILVA
LASSE SÖDERBERG
LENA d'ÁGUA
LEONARD COHEN
MADALENA FÉRIN
MANUEL RESENDE
MARCELO DA VEIGA
MARIA ÂNGELA ALVIM
MARIA MANUELA MARGARIDO
MARIANE MOORE
MATILDE ROSA ARAÚJO
MESA
NELLY SACHS
PAULO PAIS
PEDRO DA SILVEIRA
PEDRO GIL-PEDRO
PEDRO MEXIA
PENTTI SAARIKOSKI
RACHEL DE QUEIROZ
RAMÓN GÓMEZ DE LA SERNA
RUBEN A.
S. S. KHARKIANÁKIS
SAM SHEPARD
SANDRA COSTA
São JOÃO DA CRUZ
SEBASTIÃO ALBA
SEBASTIÃO UCHÔA LEITE
SÓLON
TAMARA KAMENSZAIN
TEIXEIRA DE PASCOAIS
TERESA BALTÉ
VASCO MIRANDA
Os melros de WALLACE STEVENS (a que se vão seguindo os "outros")
YAO JINGMING
YEHUDA AMICHAI
e ainda,
três poetas imagistas (EZRA POUND, D. H. LAWRENCE e H. D.)
dois poetas árabes que falam francês (TAHAR BEN JELLOUN e SALAH STÉTIÉ)
saudades de Assis
e mais coisas que forem encontrando pelo caminho.
ABDEL KARIM AKKUM
ADÉLIA PRADO
ÁLAMO DE OLIVEIRA
Cardeal ALEXANDRE DO NASCIMENTO
ANA MARQUES GASTÃO
ÁNGEL CRESPO
ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY
Frei ANTÓNIO DAS CHAGAS
ANTÓNIO FERREIRA
ANTONIO GAMONEDA
ANTÓNIO OSÓRIO
ARTUR JORGE
AUGUSTO OLIVEIRA MENDES
um poema de BASHÔ com várias versões
BORJA DA COSTA
CARL SANDBURG
CHICO BUARQUE
CÍCERO
CLÃ
COSTA ALEGRE
DANIEL FARIA
EDUARDA TAVARES
EDUARDO GUERRA CARNEIRO
EMANUEL JORGE BOTELHO
ERASMO
EVA RUIVO
FANCISCO BRINES
FERNANDO GUIMARÃES
FERNANDO SYLVAN
FRANCISCO JOSÉ TENREIRO
FRANCISCO JOSÉ VIEGAS
FRANK O'HARA
GIACOMO LEOPARDI
HÁN YÚ
HAROLDO DE CAMPOS
HASSAN ABDALLAH AL-QORACHI
IRENE LISBOA
IVONE CHINITA
JOÃO APARÍCIO
JOÃO CABRAL DE MELO NETO
JOÃO LIMA PINHARANDA
JOÃO MIGUEL FERNANDES JORGE
JOAQUIM BENITE
JORGE LISTOPAD
JORGE DE SENA ("1888 e a poesia" e "A literatura portuguesa como sermão da quaresma")
JOSÉ ALEXANDRE GUSMÃO
JOSÉ BAÇÃO LEAL
JOSÉ BLANC DE PORTUGAL
JOSÉ MÁRIO SILVA
LASSE SÖDERBERG
LENA d'ÁGUA
LEONARD COHEN
MADALENA FÉRIN
MANUEL RESENDE
MARCELO DA VEIGA
MARIA ÂNGELA ALVIM
MARIA MANUELA MARGARIDO
MARIANE MOORE
MATILDE ROSA ARAÚJO
MESA
NELLY SACHS
PAULO PAIS
PEDRO DA SILVEIRA
PEDRO GIL-PEDRO
PEDRO MEXIA
PENTTI SAARIKOSKI
RACHEL DE QUEIROZ
RAMÓN GÓMEZ DE LA SERNA
RUBEN A.
S. S. KHARKIANÁKIS
SAM SHEPARD
SANDRA COSTA
São JOÃO DA CRUZ
SEBASTIÃO ALBA
SEBASTIÃO UCHÔA LEITE
SÓLON
TAMARA KAMENSZAIN
TEIXEIRA DE PASCOAIS
TERESA BALTÉ
VASCO MIRANDA
Os melros de WALLACE STEVENS (a que se vão seguindo os "outros")
YAO JINGMING
YEHUDA AMICHAI
e ainda,
três poetas imagistas (EZRA POUND, D. H. LAWRENCE e H. D.)
dois poetas árabes que falam francês (TAHAR BEN JELLOUN e SALAH STÉTIÉ)
saudades de Assis
e mais coisas que forem encontrando pelo caminho.
21.2.04
"a linguagem, qualquer linguagem é um clarão."
Foi apresentado ontem à noite, na livraria Ler Devagar, no Bairro Alto, em Lisboa, o 16º livro de poemas de Amadeu Baptista, O Som do Vermelho.
Falaram sobre o livro a sua prefaciadora, Ana Isabel Ribeiro e o poeta António Cabrita.
Trata-se de um poema longo, em três partes, que dialoga com três pinturas de Rogério Ribeiro.
Amadeu Baptista é um dos poetas com mais fôlego da actualidade. A sua escrita está marcada por uma intensidade de comunicação fulgurante.
Os seus poemas, de facto, assumem a função primordial da poesia: dizer o que não pode ser dito, fazem-se portadores do rumor mais profundo da nossa existência, desfazendo uma distância do essencial que vamos construindo.
Pena é que tão tão poucos de nós estejam dispostos a fazerem-se interpelar por esta poesia avassaladora.
Foi apresentado ontem à noite, na livraria Ler Devagar, no Bairro Alto, em Lisboa, o 16º livro de poemas de Amadeu Baptista, O Som do Vermelho.
Falaram sobre o livro a sua prefaciadora, Ana Isabel Ribeiro e o poeta António Cabrita.
Trata-se de um poema longo, em três partes, que dialoga com três pinturas de Rogério Ribeiro.
Amadeu Baptista é um dos poetas com mais fôlego da actualidade. A sua escrita está marcada por uma intensidade de comunicação fulgurante.
Os seus poemas, de facto, assumem a função primordial da poesia: dizer o que não pode ser dito, fazem-se portadores do rumor mais profundo da nossa existência, desfazendo uma distância do essencial que vamos construindo.
Pena é que tão tão poucos de nós estejam dispostos a fazerem-se interpelar por esta poesia avassaladora.
20.2.04
[SONETOS À SEXTA-FEIRA]
FERNÃO ÁLVARES DO ORIENTE
Mata, não tira Amor o mundo à pena,
Procura mal, não bens; cega, não guia,
Escura noite traz, não doura o dia,
Desata, não confirma a paz serena.
A ingrata, não alegre sorte ordena,
Dura nele só mal, não alegria,
Segura n'alma dor, não glória cria,
Trata-nos mal, não bem, sempre na pena.
À vida triste não faz ledo o rosto,
Banha d'águas, não de prazer o peito,
Tirano, não já rei, mora aos seus n'alma.
Convida-nos ao pranto, não ao gosto,
A sanha mostra, em nada ao mundo aceito,
Engano usando, não ofrece a palma.
(fixação do texto de Isabel Almeida)
MARTIM DO CRASTO RIO
Perdi-me dentro em mi como um deserto,
Minh'alma está metida em laberinto,
E posto em tal perigo já me sinto
Cair noutro maior, nele encoberto.
Tenho o socorro longe, a morte perto,
Pois vivo do que temo e do que sinto,
Se alguém me quer valer não lho consinto,
Por vir o que receo a ser mais certo.
Nova invenção d mal, novo tromento,
Sr cutelo da vida a própria vida,
Ser desatino usar do pensamento.
Vingai-vos, dor cruel, dor conhecida,
Que a vosso pesar sei do entendimento
Que em grande dor não há vida comprida.
(fixação do texto de Isabel Almeida)
(atribuído a) Frei BERNARDO DE BRITO
SONETO EM QUE MOSTRA A EFICÁCIA DA FORMOSURA DE SÍLVIA
Querendo amor ficar com vencimento,
de quem o teve já de seus ardores,
mudou a ordem antiga dos amores
em novo e desusado fingimento.
E disfarçado enfim neste ornamento,
embrenhado uma tarde entre mil flores,
na'ljava concertou três passadores
para render de Sílvia o peito isento.
Passava descuidada a Ninfa bela,
e olhando com desdem ao moço esquivo
d'amores o matou no mesmo instante.
Se amor morreu de amores só com vê-la
quem poderá ficar no mundo vivo
à vista de uma vista tão possante?
(de Sílvia de Lisardo - fixação do texto de Fiama Hasse Pais Brandão)
D. FRANCISCO MANUEL DE MELO
Vária ideia estando na América, e perturbado no estudo por bailes de Bárbaros.
São dadas nove. A luz e o sofrimento
Me deixam só nesta varanda muda.
Quando a Domingos, que dormindo estuda,
Por um nome que errou, lhe chamo eu cento
Mortos da mesma morte o dia e vento.
A noite estava para estar sesuda,
Que desta negra gente em festa ruda,
Endoudece o lascivo movimento.
Mas eu que digo? Solto o tão sublime
Discurso ao ar, e vou pegar da pena,
Para escrever tão simples catorzada?
Vedes? Não faltará pois quem ma estime:
Que a palha para o asno, ave é de pena,
Falando com perdão da gente honrada.
(fixação do texto de José V. de Pina Martins)
NICOLAU TOLENTINO
Não tomando em desprezo o escuro estado
em que me pôs Fortuna e Natureza,
olhastes sem horror minha baixeza
e fizestes sentar-me ao vosso lado.
Então, de ingrata obrigação chamado
Deixei à força a companhia e a mesa;
e inda cheio de ideias de grandeza,
vim dar por tema um verbo conjugado.
Não sei com dous opostos conformar-me;
sofrem-me os grandes, sou taful e moço,
não sei a «senhor mestre» costumar-me.
Tais extremos, Senhor, unir não posso;
de dous génios não sou. Mandai fechar-me
ou a minha aula, ou o palácio vosso.
(fixação do texto e notas de Rodrigues Lapa)
___________________
"sofrem-me os grandes" = os fidalgos têm-me apreço
FERNÃO ÁLVARES DO ORIENTE
Mata, não tira Amor o mundo à pena,
Procura mal, não bens; cega, não guia,
Escura noite traz, não doura o dia,
Desata, não confirma a paz serena.
A ingrata, não alegre sorte ordena,
Dura nele só mal, não alegria,
Segura n'alma dor, não glória cria,
Trata-nos mal, não bem, sempre na pena.
À vida triste não faz ledo o rosto,
Banha d'águas, não de prazer o peito,
Tirano, não já rei, mora aos seus n'alma.
Convida-nos ao pranto, não ao gosto,
A sanha mostra, em nada ao mundo aceito,
Engano usando, não ofrece a palma.
(fixação do texto de Isabel Almeida)
MARTIM DO CRASTO RIO
Perdi-me dentro em mi como um deserto,
Minh'alma está metida em laberinto,
E posto em tal perigo já me sinto
Cair noutro maior, nele encoberto.
Tenho o socorro longe, a morte perto,
Pois vivo do que temo e do que sinto,
Se alguém me quer valer não lho consinto,
Por vir o que receo a ser mais certo.
Nova invenção d mal, novo tromento,
Sr cutelo da vida a própria vida,
Ser desatino usar do pensamento.
Vingai-vos, dor cruel, dor conhecida,
Que a vosso pesar sei do entendimento
Que em grande dor não há vida comprida.
(fixação do texto de Isabel Almeida)
(atribuído a) Frei BERNARDO DE BRITO
SONETO EM QUE MOSTRA A EFICÁCIA DA FORMOSURA DE SÍLVIA
Querendo amor ficar com vencimento,
de quem o teve já de seus ardores,
mudou a ordem antiga dos amores
em novo e desusado fingimento.
E disfarçado enfim neste ornamento,
embrenhado uma tarde entre mil flores,
na'ljava concertou três passadores
para render de Sílvia o peito isento.
Passava descuidada a Ninfa bela,
e olhando com desdem ao moço esquivo
d'amores o matou no mesmo instante.
Se amor morreu de amores só com vê-la
quem poderá ficar no mundo vivo
à vista de uma vista tão possante?
(de Sílvia de Lisardo - fixação do texto de Fiama Hasse Pais Brandão)
D. FRANCISCO MANUEL DE MELO
Vária ideia estando na América, e perturbado no estudo por bailes de Bárbaros.
São dadas nove. A luz e o sofrimento
Me deixam só nesta varanda muda.
Quando a Domingos, que dormindo estuda,
Por um nome que errou, lhe chamo eu cento
Mortos da mesma morte o dia e vento.
A noite estava para estar sesuda,
Que desta negra gente em festa ruda,
Endoudece o lascivo movimento.
Mas eu que digo? Solto o tão sublime
Discurso ao ar, e vou pegar da pena,
Para escrever tão simples catorzada?
Vedes? Não faltará pois quem ma estime:
Que a palha para o asno, ave é de pena,
Falando com perdão da gente honrada.
(fixação do texto de José V. de Pina Martins)
NICOLAU TOLENTINO
Não tomando em desprezo o escuro estado
em que me pôs Fortuna e Natureza,
olhastes sem horror minha baixeza
e fizestes sentar-me ao vosso lado.
Então, de ingrata obrigação chamado
Deixei à força a companhia e a mesa;
e inda cheio de ideias de grandeza,
vim dar por tema um verbo conjugado.
Não sei com dous opostos conformar-me;
sofrem-me os grandes, sou taful e moço,
não sei a «senhor mestre» costumar-me.
Tais extremos, Senhor, unir não posso;
de dous génios não sou. Mandai fechar-me
ou a minha aula, ou o palácio vosso.
(fixação do texto e notas de Rodrigues Lapa)
___________________
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19.2.04
[na senda das excelentes contratações do Quartzo]
NICOLAU SAIÃO
Nasceu em Monforte do Alentejo, em 1946.
É também pintor e publicista. Colabora com alguma imprensa local.
Desde há dias é também colaborador deste excelente blog.
HOMEM
Casas novas, número vinte e dois
diz o guarda-fiscal reformado. A boca
estampa no vidro
um desenho recortado. Um pulôver branco
- que bafo! - adeja, desconfiado. É a flor do Inverno
ruga que pouco a pouco chega. Casas novas
casas novas: bilhete humano rasgado.
Foi por esse caminho que passaram
Baco, Nitzsche, Colombo e Abu-Rahman?
AS LUZES
Vagamente inquietos
sobre a secretária
como anões cercados de lodo
como insectos enormes e ofegantes
iluminados flutuam
e violentam a carne
das praias quando amanhece
e a trovoada aparece
com seu sexo de safira
Na invenção mais mortífera
que o nevoeiro contém
lentamente se despenham
incorruptos
Os poemas esqueceram
revoltaram-se e são homens
com o seu hálito de arsénico
como amantes invisíveis.
(de Os Objectos Inquietantes, editorial Caminho, 1992)
DOIS
O tempo
O tempo, quando um grande vazio de repente finda
como em obras de paixão/ a porta que bate e já começa
a deixar a marca leve, quase de acaso para fora
das presenças que anos futuros não mais terão por si
mesmos/ contam eles, sobre outra forma conseguida
achada, que é como quem diz, numa revista destroçada
Para depois
Dizemos todos/ como estradas sem ninguém, como gaiolas
onde os pássaros para antes deixam sua imagem fotografada
e a nossa memória tem de súbito poucos poucos meses
mas mesmo assim revive sobrevive/ como um assobio
E por isso para fora a voz é uma estrada
uma folha que paira/ ou rua para dentro doutro momento
como uma criança soprada oscilante ressoando
tal qual para fora a infinita mágoa
de uma lembrança encontrada depois perdida/ dizem todos.
RETRATO
Sim, elas têm nome: metade
calando-se, metade
subindo
escuras como cascas
ou como vidros quebrados.
Terça-feira, quarta-feira
- perfis abandonados
números e acordes
inúteis.
Chamam-lhes o que preciso
fôr: nenhum receio obriga
a metade que são
ausente
a qualquer coisa dor
fundo nos ossos.
VAN GOGH
Com um tiro, Vicente?
Entre a casa e o sol?
Então para quê
o vermelho ante o céu?
E o inferno para tanta gente?
E a noite tremendo
de frio?
Nanja eu!
Prefiro comer um chapéu
um caracol
ou a capa do meu tio.
(de Flauta de Pan, edições Colibri, 1998)
NICOLAU SAIÃO
Nasceu em Monforte do Alentejo, em 1946.
É também pintor e publicista. Colabora com alguma imprensa local.
Desde há dias é também colaborador deste excelente blog.
HOMEM
Casas novas, número vinte e dois
diz o guarda-fiscal reformado. A boca
estampa no vidro
um desenho recortado. Um pulôver branco
- que bafo! - adeja, desconfiado. É a flor do Inverno
ruga que pouco a pouco chega. Casas novas
casas novas: bilhete humano rasgado.
Foi por esse caminho que passaram
Baco, Nitzsche, Colombo e Abu-Rahman?
AS LUZES
Vagamente inquietos
sobre a secretária
como anões cercados de lodo
como insectos enormes e ofegantes
iluminados flutuam
e violentam a carne
das praias quando amanhece
e a trovoada aparece
com seu sexo de safira
Na invenção mais mortífera
que o nevoeiro contém
lentamente se despenham
incorruptos
Os poemas esqueceram
revoltaram-se e são homens
com o seu hálito de arsénico
como amantes invisíveis.
(de Os Objectos Inquietantes, editorial Caminho, 1992)
DOIS
O tempo
O tempo, quando um grande vazio de repente finda
como em obras de paixão/ a porta que bate e já começa
a deixar a marca leve, quase de acaso para fora
das presenças que anos futuros não mais terão por si
mesmos/ contam eles, sobre outra forma conseguida
achada, que é como quem diz, numa revista destroçada
Para depois
Dizemos todos/ como estradas sem ninguém, como gaiolas
onde os pássaros para antes deixam sua imagem fotografada
e a nossa memória tem de súbito poucos poucos meses
mas mesmo assim revive sobrevive/ como um assobio
E por isso para fora a voz é uma estrada
uma folha que paira/ ou rua para dentro doutro momento
como uma criança soprada oscilante ressoando
tal qual para fora a infinita mágoa
de uma lembrança encontrada depois perdida/ dizem todos.
RETRATO
Sim, elas têm nome: metade
calando-se, metade
subindo
escuras como cascas
ou como vidros quebrados.
Terça-feira, quarta-feira
- perfis abandonados
números e acordes
inúteis.
Chamam-lhes o que preciso
fôr: nenhum receio obriga
a metade que são
ausente
a qualquer coisa dor
fundo nos ossos.
VAN GOGH
Com um tiro, Vicente?
Entre a casa e o sol?
Então para quê
o vermelho ante o céu?
E o inferno para tanta gente?
E a noite tremendo
de frio?
Nanja eu!
Prefiro comer um chapéu
um caracol
ou a capa do meu tio.
(de Flauta de Pan, edições Colibri, 1998)
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Nicolau Saião,
Portuguesa
18.2.04
VÍTOR MATOS E SÁ
7
Na terrível importância quotidiana da vida
és a margem inevitável da tua brancura.
Entre teus braços escorre teu corpo,
entre teus olhos que searas rompendo!
Vem - eu te espero no alto de outro riso,
outro nome, outros dedos mais longos,
mais calmos, correntes...
Hei-de amar-te aí, sobre as primaveras e um vento
que amar-te assim desmancharia as rosas.
De nós subirão as estrelas para o céu;
de nós teus olhos fechados hão-de ver-me
regressando por teu corpo como um barco
ou a noite mais antiga e secreta.
(de Horizonte dos Dias, 1952)
7
Na terrível importância quotidiana da vida
és a margem inevitável da tua brancura.
Entre teus braços escorre teu corpo,
entre teus olhos que searas rompendo!
Vem - eu te espero no alto de outro riso,
outro nome, outros dedos mais longos,
mais calmos, correntes...
Hei-de amar-te aí, sobre as primaveras e um vento
que amar-te assim desmancharia as rosas.
De nós subirão as estrelas para o céu;
de nós teus olhos fechados hão-de ver-me
regressando por teu corpo como um barco
ou a noite mais antiga e secreta.
(de Horizonte dos Dias, 1952)
O veneno lucra na distância dos braços
a dor doméstica dos dias.
Dá-me um pouco da chuva do teu passado,
o método de perder ilusões,
aquilo que os dedos sentem quando tocam na roupa.
a dor doméstica dos dias.
Dá-me um pouco da chuva do teu passado,
o método de perder ilusões,
aquilo que os dedos sentem quando tocam na roupa.
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