24.5.04

[a propósito do poema que o Quartzo passa hoje, lembrei-me disto:]

JORGE DE SENA

A PAUL FORT (+20/4/60)


Como se fosse homem de ficha e método, registo
no apêndice bibliográfico de uma história literária,
a data da morte de Paul Fort, que, subitamente,
recordo não ver consignado ao pé da outra data
em que nasceu (de resto, foi uma surpresa, porque
era como se ele tivesse já morrido há muito).
Si tous les gars du monde... - esse poema era belo,
não o tenho comigo.

Príncipe dos Poetas, escreveu baladas,
numerosas baladas, e morreu agora
com quase noventa anos. Os seus pares na idade,
Claudel e Gide, Francis Jammes e Proust,
Jarry, Philippe, Valéry, Péguy,
Colette e Romain Rolland, mais Ana Brancovan,
condessa de Noailles, haviam já morrido,
ora velhos, ora de estarem vivos, ou de angústia,
na guerra - juste guerre... ó Péguy... -,
ou na paz - que paz?... Deixemos isso.

Apenas registei. Mas não dissera ele,
na Balada da Noite, que nós contemplássemos...
O quê? Laisse penser tes sens (sabias disso,
ó Fernando Pessoa?). Éprends-toi de toi-même,
épars dans cette vie. Esparso nesta vida -
como este «príncipe» sabia coisas!

Morreu. Não de arranhado em espinhos de roseira,
como convém a Rilkes. Só de velho,
e um pouco de esquecido, esparso, épris
de soi-même. As histórias literárias
- sem o relerem, ou não seriam histórias literárias -
dar-lhe-ão cada vez menos linhas,
resumidas das linhas das outras.
E eu, que sou poeta - ó Príncipe! - trai-te,
como se com método e com ficha, registando apenas,
no apêndice de uma delas, que morreste.

27/4/1940

(de Peregrinato ad Loca Infecta, 1969)


PAUL FORT

La ronde autour du Monde


Si toutes les filles du monde voulaient s'donner la main,
tout autour de la mer elles pourraient faire une ronde.

Si tous les gars du monde voulaient bien êtr' marins,
ils f'raient avec leurs barques un joli pont sur l'onde.

Alors on pourrait faire une ronde autour du monde,
si tous les gens du monde voulaient s'donner la main.

(de Ballades Françaises)


A RONDA EM TORNO DO MUNDO

Se as jovens todas do mundo se quisessem dar a mão
a toda a volta dos mares, podiam dançar de roda.

Se os jovens todos do mundo quisessem ser marinheiros
fariam com suas barcas uma ponte sobre as ondas.

E então podia dançar-se de roda em torno do mundo
se toda a gente no mundo quisesse dar-se a mão.


FORT, PAUL - nasceu em 1872, em Reims, e teve preponderância no movimento simbolista, tendo sido um dos criadores do "Théatre d Art" que foi um dos pontos de partida da renovação do teatro moderno. Em 1896, publicou uma colectânea de poemas, Ballades Françaises, título geral em que se integrará toda a sua obra até à morte em 1960. Os seus versículos em que se escondem versos medidos, rimas internas, usou-os ele para compôr "baladas" sobretudo desenvolvendo temas e motivos da história e da paisagem da França; mas tiveram, tecnicamente, grande importância nos movimentos de vanguarda. Um dos seus poemas mais famosos (e mais breves) foi sempre este La Ronde autour du Monde, aqui traduzido, e que foge à linha geral daquela temática.

(tradução e nota biográfica de Jorge de Sena, in Poesia do Século XX de Thomas Hardy a C. V. Cattaneo, 2ª ed: Fora do Texto, 1994 - Autores Universais)
O post anterior enquadra-se na campanha de angariação de 100 milhões de leitores para as Torneiras de Freud, lançada pelo Quartzo.
A NOTÍCIA DA INVENÇÃO DO ZAPPING

Na sexta-feira, Nebia informou que: "Marguerite Duras tinha o hábito de entrar numa sala de cinema e ver durante dois minutos um filme qualquer. no fim do dia dizia que a sua jornada fora emocionante porque viu uma mulher a chorar, um casal a fazer amor e um homem a morrer,etc."


Hoje, na Terra da Alegria, começamos a dar espaço a outros amigos.
É da Tradição cristã escutar os outros e partilhar a Alegria.

23.5.04

OLGA GONÇALVES
Nasceu em Luanda em 1929.
Iniciou a actividade literária pela poesia, mas teve maior destaque na ficção, pela qual recebeu vários prémios.
Morreu em Lisboa no início de Abril deste ano.

Como a palavra nua
que partiu sem regresso
a angústia voltou

*

Falta um vagar a cada movimento
do pé do tempo
que conduz à estrada

*

1. Nós estaremos lá onde o silêncio fecha
os olhos moribundos nós estaremos
lá à porta do silêncio.

2. O sol desmanchará o corpo das sombras
as pedras serão relógios os lugares voltarão
a ser grandes lugares.

3. E as lágrimas sem tempo e as lágrimas
traçadas perderão formas definitivas

nós estaremos lá

(de Movimento, Moraes editores, 1972 - Círculo de Poesia)


COMPOSIÇÃO 22

Os marcos. Os nomes. Vestígios de. As margens. Os gavetões herméticos da cidade. Violência. As torres. A ficção da solitária cena lenta. Os matadores com violetas nos dedos. Espécie. A convergência. Mitologia de um jogo de engrenagens. Um lupanar. Dois lupanares. Quinhentos e vinte e cinco lupanares. Séries. As línguas sarcásticas do relógio. As legiões. Emboscadas memórias. O cão de cada criatura. O tempo comprimido em dinastias. Encontro casual de circunstância. As gerações de escravos. A íntima candura. Serões judeus. O desvalor de um punhal sem coragem. Quem pôde lá escrever um livro de acabado modo. A lua nossa contemporânea. A gesta deste século. Matadores com violetas nos dedos. Quem sabe se a imortalidade. Nos reinos tocam sinos sobre o sangue da chuva. Se porventura o sonho. A água muito fria. O homem só. Uma parede em história. Injuriada. Quem trouxe o espanto a nudez a caricatura da repetição do silêncio. E nas vidraças faltam noites. E à vidraças chegam os braços da modesta orgulhosa forma de sobrevivência. Pelas vidraças fogem figuras foscas filhas de todas as jornadas. Esta página de um itinerário. Se regressar posso.

(de 25 Composições e 11 Provas de Artista, 1973)


festejar no teu corpo a liberdade
que a dobra desta noite pronuncia
sobre o nervo da voz foça de alarme
garganta milimétrica de abril

um cravo da coronha de um soldado
no campo há meia hora ainda em sentido
para o gesto tão fundo tão volável
infância já da luz dentro do sismo

jornais não censurados no tapete
uma fábula fértil de fogueiras
crepitando onde rola o som da estampa

interior ao rumo à labareda
o desenho final do nosso beijo
na premissa mais livre do meu sangue

(Abril 1974)

(de Só de Amor, edições Ática, 1975)


2.

debaixo somos
caruma areia saibro prata espuma
e o dia amadurece à recta claridade do fruto leve e morno
o dia que se alarga onde
hoje
lugar de verão arável como a terra
esbulhado de permanentes dívidas
se restitui profuso
original
obsessivo espaço já berma já repouso
estuário de vastas solidões
hélas ! que l'arc-en-ciel nous prend
et on se déshabille
et on est livre de gorges de soleil
ailleurs.

(de Três Poetas, colecção O Oiro do Dia, 1980)


20 de Dezembro

Caem as sombras. Tão devagar
como o sono se desenha e afunda no corpo.

Remota, a quietude
levanta-se, vai descobrir onde
o pensamento pode ser também ancestral
longo lençol para a revelação dos nomes

Por uma fresta de chuva cortada
de rumores começa
a densidade
que me sitia: presença
maior, sem rosto
extenuando o sossego que vou pisando
ontem difuso


agora exacto


tangencial


divinamente exacto.

(de O Livro de Olotolilisobi, edições Afrontamento, 1983)


audível

pedi-lhe a história de uma árvore. disse-me conta a de todas as árvores da floresta. quando as vozes se cobrem de escuro e as distâncias caminham a par. cautelosamente. para o lado onde os ecos morrem de espanto. e um frémito decompõe sua beleza estática. e a lua sobe aos cômoros mais próximos. e a noite afirma não estarei aqui para sempre. há lobos, há frio. há solidão na terra.

(de caixa inglesa, edições Rolim, 1981 - aleph)

22.5.04

[outros melros XIX]

FRANCISCO BRINES

O PACTO QUE ME RESTA


E como devolver a minha vida à luz
da manhã, as lágrimas nocturnas,
o assombro do mar, os silêncios do melro,
o tempo de uma tarde inacabável?

E como devolver suas diferenças
à dor e à ventura,
e ser ambas amadas de igual modo,
pois ambas completam o sabor aceso da vida?

Quando a idade é já desventurada
e o dia é uma pétala,
e já mal restam rosas,
não é possível recuperar o mundo.

Acolhe-te a uns olhos, jovns só,
e com eles descobre o mundo que perdeste.
E que depois te olhem, para ser deste mundo.

(de El Otoño de las Rosas, 1986 - traduzido por José Bento, in Ensaio de Uma Despedida, Assírio & Alvim, 1987)

21.5.04

[SONETOS À SEXTA-FEIRA]

LEONOR DE ALMEIDA (Marquesa de Alorna)


Retratar a tristeza em vão procura
Quem na vida um só pesar não sente
Porque sempre vestígios de contente
Hão-de apar'cer por baixo da pintura:

Porém eu, infeliz, que a desventura
O mínimo prazer me não consente,
Em dizendo o que sinto, a mim somente
Parece que compete esta figura.

Sinto o bárbaro efeito das mudanças,
Dos pesares o mais cruel pesar,
Sinto do que perdi tristes lembranças;

Condenam-me a chorar e a não chorar,
Sinto a perda total das esperanças,
E sinto-me morrer sem acabar.


ALICE MODERNO

OS MÁRTIRES


A Gomes Leal

A vida atravessaram, fustigados
Pelo rigor ignaro da ignorância;
Mas perseguindo o Ideal, com fervida ânsia,
Ao culto de uma Ideia devotados.

No aspérrimo percurso da distância
Do berço, à vala dos crucificados,
Não realizaram místicos noivados,
Nenhuma flor lhes deu sua fragância!

Mas ouviu-lhes os fúnebres gemidos
A consciência humana, que aos vencidos
Vai levar às geenas o resgate.

E hoje pairam mais alto que os condores
E mais gloriosos do que os vencedores
Que empunharam a espada no combate!


NATÁLIA CORREIA

ARS AURIFERA I


Do soneto que sémen e ovo inclui
Tal, prévio à queda, o ser original,
A primeira estrofe é fêmea e flui
Húmida e dócil ao coito mineral

Que outra estância supõe. Nela a possui
O pai plasmante p'ra que seja igual
O céu e a terra: amor que restitui
Ao início unicaule o bem o mal.

Ó verso essente! Concluso o hermafrodita,
Flamejante desponta com seis pontas
A estrela que ao poeta sela os lábios:

Misterioso nó que em sacra escrita
Cimos e abismos une. E ficam prontas
As letras em que chispa a luz dos Sábios.


MARIA ALBERTA MENÉRES

UMA PEQUENA PEDRA ESCONDE A LUZ


Uma pequena pedra esconde a luz
que dentro dela lhe ilumina o medo
qual coração sensível se reduz
para oculta melhor nenhum segredo.

No charco imundo a estrela que reluz
acende ao seio o sono tarde ou cedo
quando o pastor de ovelhas as conduz
por entre as redondilhas do arvoredo.

Minha mãe que soletras os meus dias
vendo que em entrelinhas se me esconde
o vício de escrever as alegrias,

diz-me as palavras de dizer por onde
hei-de inventar planuras mais vazias
se é que o silêncio em eco me responde.


LUIZA NETO JORGE

SO-NETO JORGE, Luiza


A silaba que o poema é estulto
o amado abre os dentes e eu deslizo;
sismos, orgasmos tremem-lhe no olhar
enquanto eu, quase a rimar, exulto.

Conheço toda a terra só de amar:
sem nós e sem desvãos, um corpo liso.
Tenho o mênstruo escondido num reduto
onde teoricamente chega o mar.

Nos desertos - íntimos, insuspeitos -
já caem com a calma as avestruzes
- ou a distância, com os oásis finda;

à medida que nos arcaicos leitos
se vão molhando voes e alcatruzes
ao descerem ao fundo pego, e à vinda.

20.5.04

Frei AGOSTINHO DA CRUZ

À ASCENSÃO


Lá vos tornais, Senhor, onde subistes
Para lá nos subir, donde descestes;
Nascestes para nós, por nós morrestes,
Morto por nos da vida ressurgistes.

A nossa humanidade, que vestistes,
Vestida para o céu levar quisestes;
E tudo quanto nela merecestes,
Connosco livremente repartistes.

O nascer, o morrer, o ressurgir,
O subirdes ao céu por nos mostrar
O caminho, por onde havemos d'ir;

Tudo tem muito em si que contemplar;
Mais, muito mais, em mim ver-vos partir,
Sem vos poder, Deus meu, acompanhar.

19.5.04

"Quem suspeitar de Cristo / Em sóis quotidianos"

Vem o longo poema anterior a propósito da saída, hoje, de mais uma série de textos na Terra da Alegria e do novo blog do Carlos, Partículas Elementares.
NATÉRCIA FREIRE

OS SUSPEITOS


Quem descobrir alguém
suspeito de ser cristão
informe a autoridade
O Massacre de Shimabara em 1638


Quem suspeitar do amor
Com filiformes sedas
E veias incorruptas
E prolongadas fontes
Quem suspeitar da luz
Na doce obscuridade
Informe a autoridade.

Quem suspeitar da fome
À mesa reluzente.
Quem suspeitar da Cruz
Entre a família ausente
Quem suspeitar da sede
Por dentro da amizade
Informe a autoridade.

Quem suspeitar que há laços
De bíblicas imagens.
Lázaro ao nosso lado.
Novas ressurreições.
E Cristo no pecado
E romanas miragens

Nos circos, nos algozes,
Coroados de louros.

Quem suspeitar da esperança,
No átrio da memória
Da imensa liberdade
Que o suicídio evade,
Informe a autoridade.

E o mais suspeito vem
Bater à noite morta.
Traz nos dedos de garras
Sangrando, um coração.
Gota, a gota, nos lábios
O futuro da Vida
Canta no espaço humano
A enorme transfusão.
Na eterna leucemia
Do renovado dia
Apavora o suspeito
A paz do hospital.

Branco, branco o elemento
Que embala o pensamento.
- Mas sonho sonolento.
Mas subtil caridade -
Ao vampiro do Tempo
Impõe a edilidade
Que o conselho dos velhos
Informe a autoridade...

A multidão das sombras
As hostes das visões
Computadores cruéis
Mais os homens robots
Instalaram nos lares
Ouvidos e espiões.
Em corações de corda
Em frios corações
Deitaram a paixão.
- Trituraram as paixões.

Mas o massacre aguarda
As ordens implacáveis.

Quem suspeitar do amor
Em filiformes sedas.
Quem suspeitar da sede
Por dentro da amizade.
Quem suspeitar da esperança
No átrio da memória,
Da imensa liberdade
Que o suicídio evade.

Quem suspeitar de Cristo
Em sóis quotidianos
No peito lacerado
Aberto ao companheiro,
E quem quiser dizer
O que dizer não há-de,
Avise a autoridade

(de Os Intrusos, 1971)

18.5.04

MARÍA VICTORIA ATENCIA

SE A BELEZA...


Se a beleza em seu frescor deve ceder,
não deixes que se extinga em mim seu poderio,
pois se dei preferência a outros dons, não tive
em menosprezo o alto valor de teus favores:
a possível beleza de que me cumulaste
ou que assim parecia a quem mais que a mim quis,
pois com acréscimo gozar me concedeste
de apaixonado amor, enchendo com excesso
o jarro que aprontado levei para o encontro.

O barro fendilhado, sem gatos nem remendos,
deixa-me uma excelência a demorar a morte.

(de Marta e María, 1976 - tradução de José Bento, in Antologia Poética, Assírio & Alvim, 2000 - documenta poetica)
JEAN GENET

Na origem da beleza está unicamente a ferida, singular, diferente para cada qual, escondida ou visível, que todos os homens guardam dentro de si, preservada, e onde se refugiam ao pretenderem trocar o mundo por uma solidão temporária mas profunda. Fora de miserabilismos. (...)

(excerto de O Estúdio de Giacometti, tradução de Paulo da Costa Domingos, Assírio & Alvim, 1988 - Alfinete)

17.5.04

[outros melros XVIII]

JOSÉ BLANC DE PORTUGAL

Lírica


Rubianista Pianstein
No seu Bechstein
Vivo teclava
A famosa "Java
Do Embaixador".
Em frente,
No arvoredo,
Embasbacado,
O melro Alfredo,
Deferente,
Pensa no fado
Do tal pintor.

(de Odes Pedestres, Ulisseia, 1965)

16.5.04

[três versões para um mesmo poema]

EMILY DICKINSON

The poets ligh but Lamps -
Themselves - go out -
The Wicks they stimulate -
If vital Ligh

Inhere as do the Suns -
Each Age a Lens
Disseminating their
Circunference -

c. 1864



Os Poetas acendem Lâmpadas -
Mas eles próprios - se apagam -
As Torcidas que espevitam -
Se Luz vital

Como aqui são as dos Sóis -
As Eras Lentes
Disseminando a deles
Circunferência.

(tradução de Jorge de Sena, in 80 Poemas de E. D., edições 70, 1978)

Os Poetas apenas ateiam Chamas -
Eles próprios - extinguem -
Os Pavios que acendem -
Se a Luz vital

É inerente como nos Sóis -
Cada Idade uma Lente
Disseminando-se
Circularmente -

(tradução de Cecília Rego Pinheiro, in Esta é a Minha Carta ao Mundo e outros poemas, Assírio & Alvim, 1997 - Gato Maltês)

Não faz mais do que acender Lâmpadas -
O Poeta - e vai-se embora -
São os Pavios que ele activa -
Se a Luz vive

Sempre, como um Sol -
Cada Época é uma Lente
Disseminando a sua
Esfera -

(tradução de Nuno Júdice, in Poemas e Cartas, edições Cotovia, 2000)
NOVALIS

Não são as cores variegadas, os tons graciosos e o ar macio o que tanto nos entusiasma na Primavera. É o tranquilo espírito vaticinador de infinitas esperanças, um pressentimento de muitos dias felizes, da próspera existência de tão diversas naturezas, a suspeita de sublimes florações e frutos eternos e a obscura simpatia para com o mundo social que se desdobra.

(tradução de Rui Chafes, in Fragmentos de Novalis, 2ª ed: Assírio & Alvim, 2000 - documenta poetica)