MÁRIO GARCIA, S. J.
Hino das Matinas do Natal
Traz
a sentinela,
à raiz do vento,
a gruta.
A ave, a neve,
dilata a madrugada.
A luz
difunde
a palma.
O odor do pinheiro
entra na água,
impregna o ar.
Dentro da nuvem, a pomba.
O ovo da criação,
a semente,
nasce.
O fogo
clama
o coração.
A nova eternidade
começa no poema,
por um sinal de amor.
Hino das Segundas Vésperas de Natal
Menino
quase sozinho
no seio da Virgem Mãe,
dá-me
teu sorriso
palhinha do nada.
Traz
numa carícia agora
o luar,
a mão divina
sentinela luz
da noite.
Para ti
nossa canção
se evola,
nostálgica palavra
lentamente sendo
vida.
Flor de cinza
o nosso coração
alado,
ao teu presépio
na raiz do vento
voa.
Deus
à madrugada
leva o berço,
silêncio
em que se aninha o dia.
Estrela do céu
a lágrima do mundo
abrasa em nós,
mar
do infinito
amor.
(de Roma, Vieira, Veneza, Autores de Braga, 1998)
25.12.08
24.12.08
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA
Nascemos, nascemos, nascemos
Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos.
Nascemos muitas vezes ao longo da infância
quando os olhos se abrem em espanto e alegria.
Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca.
Nascemos na sementeira da vida adulta,
entre invernos e primaveras maturando
a misteriosa transformação que coloca na haste a flor
e dentro da flor o perfume do fruto.
Nascemos muitas vezes naquela idade
onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se
com laços interiores e caminhos adiados.
Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar.
Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de algumas lágrimas.
Nascemos na prece e no dom.
Nascemos no perdão e no confronto.
Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra.
Nascemos na tarefa e na partilha.
Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos.
Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.
O que Jesus nos diz é: "Também tu podes nascer",
pois nós nascemos, nascemos, nascemos.
(in boletim da Agência Ecclesia, 23/12/2008)
Nascemos, nascemos, nascemos
Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos.
Nascemos muitas vezes ao longo da infância
quando os olhos se abrem em espanto e alegria.
Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca.
Nascemos na sementeira da vida adulta,
entre invernos e primaveras maturando
a misteriosa transformação que coloca na haste a flor
e dentro da flor o perfume do fruto.
Nascemos muitas vezes naquela idade
onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se
com laços interiores e caminhos adiados.
Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar.
Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de algumas lágrimas.
Nascemos na prece e no dom.
Nascemos no perdão e no confronto.
Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra.
Nascemos na tarefa e na partilha.
Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos.
Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.
O que Jesus nos diz é: "Também tu podes nascer",
pois nós nascemos, nascemos, nascemos.
(in boletim da Agência Ecclesia, 23/12/2008)
[muita pressa e pouco amor]
VITORINO NEMÉSIO
NATAL CHIQUE
Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Na minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa caiu mal
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.
(de O Pão e a Culpa, 1955)
VITORINO NEMÉSIO
NATAL CHIQUE
Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Na minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa caiu mal
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.
(de O Pão e a Culpa, 1955)
23.12.08
JOSÉ AUGUSTO MOURÃO
Salmo de advento
rasgue-se o céu, o teu olhar nos cubra
rodem os portais esquecidos e as sebes
secaram de excessivas as fontes do silêncio
só o desejo sai ao mar com algum lume a bordo,
a mais estão as luzes alcandoradas
se para apagar as brasas deste chão se arvoram.
desçam os teus barcos os rios do amargor
cegam-nos de evidência pântanos e vórtices
exorcizemos a impostura da língua
e as palavras amestradas que não andam.
dá-nos o dom do seminal, não do sacrifício
que até os deuses compra e a nós desculpa,
baste à vida como cais o limiar
e a intensidade dos afectos que responda à Voz
altere-nos o largo do dom e da misericórdia
que o rocio da noite que é a esperança nos afague.
rasgue-se o tempo e o teu dom nos ritme
na dobra do Evangelho vigiamos: vem!.
daremos a esta hora o nome: Expectação
e a noite e o sal em comum partilharemos.
a sentinela que precede a luz e a epifania
nos disponha a viver na noite vendo o dia.
fique-nos da tua passagem o traço e a cinza
e a crença de que o vazio é prenhe e habitado.
de apurar o ouvido e os afectos
se pressente a nascente só da fé sabida
se perdemos a memória das feridas
como aguardaremos a face da justiça que caminha?
confirme o teu Anjo os vestígios
de mundos que os batedores do sopro prenunciam,
que a flor da amendoeira aqueça esta vigília
e preludie o fim do inverno e a crueldade,
entremos no Jardim como num barco
hão-de levar ao Rosto os poços visitados.
(de Declinações o Nome e a forma, DL n.º 205863/04, 2004)
[a propósito, ver também este post de José Leitão]
Salmo de advento
rasgue-se o céu, o teu olhar nos cubra
rodem os portais esquecidos e as sebes
secaram de excessivas as fontes do silêncio
só o desejo sai ao mar com algum lume a bordo,
a mais estão as luzes alcandoradas
se para apagar as brasas deste chão se arvoram.
desçam os teus barcos os rios do amargor
cegam-nos de evidência pântanos e vórtices
exorcizemos a impostura da língua
e as palavras amestradas que não andam.
dá-nos o dom do seminal, não do sacrifício
que até os deuses compra e a nós desculpa,
baste à vida como cais o limiar
e a intensidade dos afectos que responda à Voz
altere-nos o largo do dom e da misericórdia
que o rocio da noite que é a esperança nos afague.
rasgue-se o tempo e o teu dom nos ritme
na dobra do Evangelho vigiamos: vem!.
daremos a esta hora o nome: Expectação
e a noite e o sal em comum partilharemos.
a sentinela que precede a luz e a epifania
nos disponha a viver na noite vendo o dia.
fique-nos da tua passagem o traço e a cinza
e a crença de que o vazio é prenhe e habitado.
de apurar o ouvido e os afectos
se pressente a nascente só da fé sabida
se perdemos a memória das feridas
como aguardaremos a face da justiça que caminha?
confirme o teu Anjo os vestígios
de mundos que os batedores do sopro prenunciam,
que a flor da amendoeira aqueça esta vigília
e preludie o fim do inverno e a crueldade,
entremos no Jardim como num barco
hão-de levar ao Rosto os poços visitados.
(de Declinações o Nome e a forma, DL n.º 205863/04, 2004)
[a propósito, ver também este post de José Leitão]
22.12.08
ARTUR PORTELA
25
(de A ração do céu, editorial Notícias, 2001 – Outras Narrativas)
25
Desmoronavam-se e choravam gente.
Caíam-lhes, dos agora muitos olhos que tinham, muitas pessoas.
Lentamente se despenhavam de todos aqueles olhos que eram de vidro partido mais pessoas do que todas quantas ele jamais vira.
Achou-se a cair com elas, a cair entre elas.
Sendo imensa, embora mansa e vagarosa, quase meticulosa, a tristeza de todos.
Uma tristeza feita de espanto, desconcerto e desilusão.
Angústia era a sua por os ver assim.
Enquanto lentamente caíam.
Contavam, enquanto caíam, uns aos outros, quem eram, o que faziam, o que fariam essa mesma tarde se não fossem morrer dali a nada, e o que fariam naquele ano.
Os que estavam caindo em seu redor espantaram-se de o ver ali, e assim, naquele propósito de queda, levando um chapéu, que não era uso.
E não seria, sentiu ele, só isso, porque todos o olhavam de uma forma assim a modos que culpabilizadora, mas contida.
Além de que tinham de cuidadosamente cair, para não chocarem uns com os outros, e assim inutilmente se magoarem antes de morrer.
E, sempre a cair, mútua e muito polidamente se ajudavam, caia por aí que eu caio por aqui, cuidado que vem mesmo este senhor a cair sobre si, com licença, muito obrigado.
Ele só pensava numa coisa: a fome, que não me matou até hoje, sobreviver-me-á?
(de A ração do céu, editorial Notícias, 2001 – Outras Narrativas)
21.12.08
PEDRO GIL-PEDRO
Rodam devagar as pás do silêncio
como delas manasse um abismo suado,
mas sobre a matriz da neve pendem os bordões do fogo.
de longe veio o declínio da esteva – um círculo fechado
por enigmas.
em breve
haverá um halo de germinação nos açudes e
exausta a poda um arado de novo em desvario.
diante do inverno
movem-se ainda as pás da agonia
apesar dos setenta selos pregados ao sono.
(de animais cheios de movimento no inverno, Quasi edições, 2002 - Uma existência de papel)
Rodam devagar as pás do silêncio
como delas manasse um abismo suado,
mas sobre a matriz da neve pendem os bordões do fogo.
de longe veio o declínio da esteva – um círculo fechado
por enigmas.
em breve
haverá um halo de germinação nos açudes e
exausta a poda um arado de novo em desvario.
diante do inverno
movem-se ainda as pás da agonia
apesar dos setenta selos pregados ao sono.
(de animais cheios de movimento no inverno, Quasi edições, 2002 - Uma existência de papel)
20.12.08
MANUEL DA SILVA RAMOS
(…)
(excerto de Os Três Seios de Novélia, 1969)
(…)
- E a sua vida? Ainda não sei nada de si… Diga-me, o que é a sua vida?
- A minha vida são os meus livros. As palavras que conduzo. As situações que rego. Os homens que invento para os outros homens. As mulheres que nunca consegui encontrar para o corpo de acção, para o espírito das palavras. Às vezes ando quinze dias atrás duma mulher que encontro casualmente na rua, a observá-la, a segui-la, até casa, até ao emprego, para lhe fixar os mínimos (gloriosos) pormenores para depois os lançar ao papel como um osso a um cão. Mas acabo sempre por desistir porque nunca conseguiria reproduzir-me como uma fotografia ou uma radiografia. Os meus livros não são um guia automobilístico nem o roteiro de uma cidade. Estão abandonados no sangue até que deles participe todo o mundo. E às vezes esqueço-me de viver a minha própria vida. Sim, a minha vida é um veiculo que se alimenta de sol em vez de gasolina e que anda só em sentido contrario…
- Porque escreve então?
Pergunta antiga, descubro-me no Egipto há milhares de anos rente ao Nilo, os dedos na terra, um sorriso na crista da boca, o sol levando-me os olhos. Sempre a pergunta inutil. Agora na boca translúcida de Apília. Apília, quando colhíamos morangos ao nascer dos dias egípcios e depois cansados nos deitávamos, tu ao comprido, eu com a cabeça nas tuas ancas comendo os morangos que escorregavam para as tuas pernas até aquecerem na nossa respiração, que se ia evaporando.
- Porque não sei falar…
(…)(excerto de Os Três Seios de Novélia, 1969)
19.12.08
ERNESTO GRASSI
(excerto de A Arte e o Mito, tradução de Manuela Pinto dos Santos, sem data – LBL Enciclopédia)
(…) As condições biográficas do autor de uma obra de arte nada nos revelam do processo artístico da sua composição, pois que as vivências «pessoais» do poeta não são diferentes, na maioria das vezes, das que são comuns aos seus contemporâneos e próximos que não foram capazes de extrair delas um sentido universal. Embora pareça contraditório, assim é: a personalidade que através da obra de arte nos fala é, sem dúvida, a de um indivíduo que se move em determinado condicionamento histórico, mas é sobretudo a encarnação de uma força impessoal cujo fito é configurar o objectivo e universal. Daí a impressão de um estranho anonimato no qual, todavia, se patenteia algo de muito pessoal, que no projecto criador transmuta e anula o meio ambiente e tem capacidade para tanto porque as suas raízes atingem o fundo último do ser, do indizível ignoto. É decerto este o sentido das palavras de Rimbaud:
(excerto de A Arte e o Mito, tradução de Manuela Pinto dos Santos, sem data – LBL Enciclopédia)
ARTHUR RIMBAUD
(excerto de carta a Paul Demeny, datada de 15 de Maio de 1871, in Cartas do Visionário e mais nove poemas, tradução de Ângelo Novo, Fora do Texto, 1995)
(…) A inteligência universal sempre arremessou as suas ideias com naturalidade; os homens recolhiam uma parte desses frutos do cérebro: agia-se em conformidade, escreviam-se livros: tal era o sentido das coisas, o homem não se trabalhando, não estando ainda desperto ou não mergulhando na plenitude do grande sonho. Funcionários, escreventes: autor, criador, poeta, esse homem nunca existiu!
O primeiro estudo para o homem que quer ser poeta é o próprio conhecimento, por inteiro; ele procura a sua alma, inspecciona-a, experimenta-a, apreende-a. Desde que a sabe, deve cultivá-la; isso parece simples: em todo o cérebro se dá um desenvolvimento natural; tantos egoístas se proclamam autores; muitos outros atribuem-se o seu próprio progresso intelectual! – Mas do que se trata é de tornar a alma monstruosa: a exemplo dos comprachicos, pois! Imagine um homem implantando e cultivando verrugas no seu próprio rosto.
(…)(excerto de carta a Paul Demeny, datada de 15 de Maio de 1871, in Cartas do Visionário e mais nove poemas, tradução de Ângelo Novo, Fora do Texto, 1995)
18.12.08
AMADEU BAPTISTA
Ternura
A magnífica
refeição que o tratador
dá ao cavalo:
aveia,
duas dúzias de cenouras
e uma maçã vermelha.
Devolve-lhe o cavalo
a afeição
com um roçagar
leve da garupa.
Todo ele afecto,
a derramar ternura.
(de Os Cavalos a Correr, Trinta por uma linha, 2008 - recolhido no Porosidade Etérea)
Ternura
A magnífica
refeição que o tratador
dá ao cavalo:
aveia,
duas dúzias de cenouras
e uma maçã vermelha.
Devolve-lhe o cavalo
a afeição
com um roçagar
leve da garupa.
Todo ele afecto,
a derramar ternura.
(de Os Cavalos a Correr, Trinta por uma linha, 2008 - recolhido no Porosidade Etérea)
Foram lançados recentemente mais dois novos livros de Amadeu Baptista:


Açougue
(XVI Prémio de Poesia Espiral Maior),
editado na Galiza pela Espiral Maior.


Os Cavalos a Correr,
livro de poemas para crianças ilustrado por Estela Baptista Costa
e editado pela editora Trinta por uma linha
e
livro de poemas para crianças ilustrado por Estela Baptista Costa
e editado pela editora Trinta por uma linha
e
Açougue
(XVI Prémio de Poesia Espiral Maior),
editado na Galiza pela Espiral Maior.
(entretanto, há notícia de que mais livros do Amadeu estão para chegar em breve)
16.12.08
EDWARD HOPPER

MÁRIO AVELAR
Promenade – Sol num quarto vazio
(Edward Hopper)
Às vezes sento-me na
sala a ouvir Coltrane,
my favorite things… O crepúsculo
da memória esbate-se
em ténues raios de
luz nos ecos desses dias:
Não vás ao mar, Tóin’… O tédio
dos sessenta, procissões,
indolentes romarias…
cheiro a fritos, farturas…
Nostalgia? Toca a
banda no coreto… Que
vontade de uivar, de
correr, de fugir p’ra longe
desse imenso torpor.
(de Pela mão de Mussorgski numa galeria com anjos, Black Sun editores, 2000)

Empty Room, 1963
óleo sobre tela
Colecção particular
óleo sobre tela
Colecção particular
MÁRIO AVELAR
Promenade – Sol num quarto vazio
(Edward Hopper)
Às vezes sento-me na
sala a ouvir Coltrane,
my favorite things… O crepúsculo
da memória esbate-se
em ténues raios de
luz nos ecos desses dias:
Não vás ao mar, Tóin’… O tédio
dos sessenta, procissões,
indolentes romarias…
cheiro a fritos, farturas…
Nostalgia? Toca a
banda no coreto… Que
vontade de uivar, de
correr, de fugir p’ra longe
desse imenso torpor.
(de Pela mão de Mussorgski numa galeria com anjos, Black Sun editores, 2000)
15.12.08
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA
A noite abre meus olhos
Caminhei sempre para ti sobre o mar encrespado
na constelação onde os tremoceiros estendem
rondas de aço e charcos
no seu extremo azulado
Ferrugens cintilam no mundo,
atravessei a corrente
unicamente às escuras
construí minha casa na duração
de obscuras línguas de fogo, de lianas, de líquenes
A aurora para a qual todos se voltam
leva meu barco da porta entreaberta
o amor é uma noite a que se chega só.
(de A Estrada Branca, 2005)
A noite abre meus olhos
Caminhei sempre para ti sobre o mar encrespado
na constelação onde os tremoceiros estendem
rondas de aço e charcos
no seu extremo azulado
Ferrugens cintilam no mundo,
atravessei a corrente
unicamente às escuras
construí minha casa na duração
de obscuras línguas de fogo, de lianas, de líquenes
A aurora para a qual todos se voltam
leva meu barco da porta entreaberta
o amor é uma noite a que se chega só.
(de A Estrada Branca, 2005)
14.12.08
SANDRO PENNA
As Portas do mundo não sabem
que lá fora a chuva as procura.
As procura. As procura. Paciente
afasta-se, regressa. A luz
não sabe que há chuva. A chuva
não sabe que há luz. As portas,
as portas do mundo estão fechadas;
fechadas para a chuva,
fechadas para a luz.
(in No brando rumor da vida, tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo, Assírio & Alvim, 2003 – original de Poemas Inéditos (1927-1955))
As Portas do mundo não sabem
que lá fora a chuva as procura.
As procura. As procura. Paciente
afasta-se, regressa. A luz
não sabe que há chuva. A chuva
não sabe que há luz. As portas,
as portas do mundo estão fechadas;
fechadas para a chuva,
fechadas para a luz.
(in No brando rumor da vida, tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo, Assírio & Alvim, 2003 – original de Poemas Inéditos (1927-1955))
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