11.1.09

NELLY SACHS

TERRA DE ISRAEL


Não cantos de luta vos vou eu cantar
Irmãos, expostos ante as portas do mundo.
Herdeiros dos salvadores da luz, que da areia
arrancaram os raios enterrados
da eternidade.
Que nas mãos seguraram
astros cintilantes como troféus de vitória.

Não canções de luta
vos vou eu cantar
Amados,
só estancar o sangue
e as lágrimas, que gelaram nas câmaras da morte,
degelá-las.

E buscar as lembranças perdidas
que rescendem proféticas através da Terra
e dormem sobre a pedra
em que os canteiros dos sonhos enraízam
e a escada da nostalgia
que ultrapassa a Morte.

(in Poemas de Nelly Sachs, tradução de Paulo Quintela, Portugália editora, 1967 - original de Terra de Istrael / Land Israel, 1951)

1 comentário:

  1. Jerusalém Pela Manhã:

    Nasce o sol na sublimada Jerusalém
    E em todos derrama sua luz mentecapta
    Rebentando a manhã vinda do além.

    A lente ateia do fotógrafo não capta
    A verdadeira essência da religião
    Ou as vidas sem culpa que uma bomba rapta.

    O olho mecânico não fotografa a mão
    Baptizada cristã ou a perna judia,
    Nem sequer o braço temente ao Islão.

    A lente apenas grava na fotografia
    Um braço, uma mão e uma perna sem vida
    E o resto dos corpos na calçada fria

    Enquanto a voz de gargalhada suicida
    Ecoa sonora pela Santa Cidade,
    Certa de que a sua prece será ouvida.

    Mas o que o mártir não sabe, em boa verdade,
    É que morreu rezando a um deus que não o ouve
    Pois sua existência é uma falsidade.

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