JOÃO RUI DE SOUSA
RUMOROSAS VOZES
Rumorosas vozes vinham
e depois paravam.
Talvez fossem só lágrimas caindo.
Talvez campos de sal que nos desciam
desde um horizonte de clausura
até às pálpebras:
para mostrarem como a vida estala
quando a alegria morre ou não cintila
em braços esplendorosos, na redondez
de um colo, na casa que é bem nossa
e pousa na cabeça,
e mesmo na grata circunstância
de trabalharmos tanto
no trato de um jardim desordenado
— sem árvores alinhadas nem canteiros,
sem corações opressos
por rectilíneas áleas.
(de Quarteto para as próximas chuvas, publicações Dom Quixote, 2008)
Lindo. Excelente escolha.
ResponderEliminarBeijo.
Sempre me intrigou no João Rui de Sousa o facto de ele conseguir tão bem articular o ser um grande
ResponderEliminarpoeta com aquela imensa discrição que sempre tem... De toda a sua obra tenho pelo "Quarteto para as próximas chuvas" uma admiração (ainda mais) especial. Abrç.