1.4.12
31.3.12
FERNANDO ESTEVES PINTO
Improvisas uma forma de aceitação enquanto escreves.
Por exemplo o tempo a semear estacas
em redor do teu pensamento.
Também Ellington sopra pregos harmoniosos
numa intensa dança ao ritmo do medo.
Uma imagem de alicerce a ruir:
tudo o que reúnes na tua loucura.
Como um programa de entretenimento
os rostos fermentados num silêncio ofensivo
os aplausos do desespero quando a razão
é a arte das palavras interiores.
Nenhuma multidão é um antídoto
para os múltiplos rostos que exibes
em confronto com o fragmento feliz.
(de Área Afectada, Temas Originais, 2010)
DUKE ELLINGTON
Improvisas uma forma de aceitação enquanto escreves.
Por exemplo o tempo a semear estacas
em redor do teu pensamento.
Também Ellington sopra pregos harmoniosos
numa intensa dança ao ritmo do medo.
Uma imagem de alicerce a ruir:
tudo o que reúnes na tua loucura.
Como um programa de entretenimento
os rostos fermentados num silêncio ofensivo
os aplausos do desespero quando a razão
é a arte das palavras interiores.
Nenhuma multidão é um antídoto
para os múltiplos rostos que exibes
em confronto com o fragmento feliz.
(de Área Afectada, Temas Originais, 2010)
DUKE ELLINGTON
30.3.12
[a propósito da notícia divulgada e desenvolvida pela Joana Lopes
neste post]
RUTH FAINLIGHT
Seres Fabulosos
É difícil não pensar no Atlântico
e no Mediterrâneo como dois
seres fabulosos, às vezes guerreando-se,
outras em paz. Tantos mitos
e histórias registam os seus encontros
em Tanger, Tarifa, Gibraltar...
Mas para mim, o encontro dessas águas
é significado não por bandeiras ou estátuas
mas por barcos a meter água atafulhados de pessoas
desesperadas para alcançar a fronteira final
antes de serem apanhadas por uma lancha de alta velocidade
da polícia, ou afogadas numa tempestade...
O que eles sonham: ser acolhidos algures
a norte do Mediterrâneo,
longe do Atlântico, é pouco provável
que aconteça. Aqueles seres fabulosos
que lhes controlam o futuro raramente concedem
boa fortuna - indiferentes como o oceano.
(traduzido por Helena Barbas, in No Cais da Poesia 2,
editorial Teorema, 2006)
15.3.12
ANA HATHERLY
Falo do que é físico
Falo do que é físico porque não tenho outra realidade.
Falo do corpo
do mundo
do que ainda não sabemos e chamamos divino.
Falo do que é físico
porque tudo o que é real tem corpo e ocupa espaço.
Falo disso.
Falo do que existe
e tudo é tanto que nunca chega o tempo
nunca chega o fôlego.
Vejo até à asfixia
gente, coisas, o invisível.
Tudo me faz estar em permanente frémito
sair para a rua de noite
e andar até cair de cansaço.
Pensando em tudo isso
extremamente sobreposto
como se uma grande dor não anulasse outra
como se fosse possível
pensar em mais de uma coisa de uma só vez
sentindo o simultâneo impossível
querendo abranger
a incontrolável voracidade dentro de tudo.
Corro por mim fora
como um grande atleta
campeão de barreiras e distâncias invencíveis
tentando vencer
mas tudo é enorme e intrincado
tudo em mim são olhos vigilantes
sem jamais pálpebra.
Mas tudo isso não chega.
Tudo é enorme
e morro tão depressa
(de A Idade da Escrita, edições Tema, 1998)
13.3.12
PAULO DA COSTA DOMINGOS
Inúteis. O desenho: uns tomam-no
de suas hortas
nas traseiras; outros, do
encavalitado de ares
condicionados; além atiram comida
das janelas.
Gatos esperam que nunca o deus do
trabalho e
das férias lhes feche a torneira
desse maná, inúteis.
Como, aliás, devem ser os versos,
espreguiçados
ao longo de um muro, miticamente
branco por
baixo do musgo. Que por detrás de
um veículo
topo de gama acabamos sempre por
encontrar
nabiças, um seu familiar que não
limpou ainda
a lama das botas, e traz da
encosta uma gritaria
impossível de miúdos maltrapilhos
e farinha no
sabugo. Não fora a destreza dos
gatos, e outro galo
cantaria. E eu, perplexo na
barafunda de opiniões
e de soslaios que me fixam,
preparo meu salto
antes que, piegas, me abandone a
poesia, versos
inúteis.
(de Nas alturas, frenesi, 2006)
5.3.12
MANUEL DE SEABRA
– Sabes o que fazia eu em França?
– O Sabaté disse-me.
– Não disse nada. O Sabaté não te disse nada.
– Bem, – murmurou Queralt.
– Vivia à custa duma gaja.
– Ah!
– Não te admiras?
– Eu disse «Ah!»
– Nunca viveste à custa de uma gaja?
– Não. Sempre assaltei bancos.
– Não sabes, portanto, fazer outra coisa.
– Não.
– Eu nem isso. Nem assaltar bancos. Só sei beijar a
Elisenda. Mas isso foi há muito tempo. Ela agora tem outro para fazer-lhe isso.
– Tens ciúmes?
– Nada. Daqui a uns anos está velha e então já não haverá
ninguém que queira beijá-la.
– Oh!
– Que é que quer dizer esse «Oh!»?
– Nada.
– Dantes queria ser escritor, sabes?
– E que escrevias tu?
– Histórias. Escrevia histórias horríveis. Mas encontrava
sempre algum sentido nos homens.
– E porque não continuaste?
– Não. Que queres? Um dia descobri que esse sentido que eu
encontrava nos homens era falso. Ficavam só as histórias horríveis. Foi então
que deixei de escrever.
(excerto de Os Sobreviventes, colecção Imbondeiro, 1964)
4.3.12
MANUEL RESENDE
POR EXEMPLO
Por exemplo: os
cheiros não têm nome
– Nem as nossas
penas e alegrias.
Como separar o
cheiro da alfazema, da urze, do beijo, dos corpos,
Da alfazema, da
urze, do beijo, dos corpos?
As palavras
cobriram com o seu mar
A maior parte
da terra
E lá dentro já
só vivem peixes mudos
E plantas meio
descoradas,
Mas
Ameaçadoras
Ou aduladoras
Embateram
impotentes
Contra as
falésias onde
Começa o reino
dos cheiros e da emoção.
Como dizer
O cheiro da
alfazema, da urze,
Dos beijos ou dos corpos,
Ou disso tudo
junto?
Só estando lá.
(de O mundo
clamoroso ainda, Angelus Novus editora, 2004)
2.3.12
[outros melros LXIII]
GEORG TRAKL
CANTO DUM MELRO PRESO
A Ludwig von Ficker
Hálito escuro na verde ramaria.
Florinhas azuis pairam em volta da face
Do solitário, fazendo morrer o passo
Dourado sob a oliveira.
Levanta voo a noite em asa ébria.
Tão baixo sangra humildade,
Orvalho, que manso goteja do espinheiro em flor.
Compaixão de braços radiosos
Abraça um coração que quebra.
(in Traduções II – Obras Completas de Paulo Quintela, Fundação
Calouste Gulbenkian, 1998 – original de Sebastião em Sonho, 1915)
1.3.12
TERESA ZILHÃO
27
Se queres um tesouro, procura um peixe
no núcleo da maré cheia, onde na seiva
subaquática milhares habitam.
Num simétrico reencontro, nossas células
diferem mas partilham em comunhão todo
o conhecimento. Difícil será isolá-lo e
galopar até à sua guelra que cantará:
«Nada está parado pois tudo se move e tudo
vibra, olha o golfinho que tudo partilha.
Na sua ave de saber, ajuda em silêncio
e, no não manifesto – brilha... brilha.»
(de Novo Palco, Difel, 1998)
29.2.12
MÁRIO BOTAS
Romance de D. Sebastião de Portugal e Gabriel de Espinosa
Pasteleiro em Madrigal
em memória de Mário Botas
Romance de cordel impresso anonimamente em 4 de Agosto de
1983 e encontrado por Almeida Faria
I
Em Portugal houve um rei
de nome Sebastião
era um dos donos do mundo
ele e Felipe II
seu tio e seu sucessor
como contarei depois
Este D. Sebastião
nasceu póstumo do pai
aos três anos era rei
aos onze anos sofria
de qualquer venéreo mal
que ficou por explicar
Não queria D. Felipe
dar-lhe em casamento a filha
enquanto se não curasse
o que nunca sucedeu
e assim este rei cresceu
doente e desesperado
Tomou horror às mulheres
cujos olhares evitava
educado pelos padres
achava-as causa do mal
que sofria em sua carne
e o tornava incapaz
Chegado aos vinte e quatro anos
juntou todos os navios
que conseguiu reunir
dentro e fora do país
e mais três mil mercenários
e mais soldados do Papa
E em 25 de Junho
zarpou para o norte de África
em derradeira cruzada
até que em 4 de Agosto
em pleno deserto ardente
sete a oito mil soldados
Sendo uns dois mil a cavalo
de armaduras a escaldar
sob o incêndio do sol
e armas que a grande armada
trouxera inúteis a bordo
pesadas para o areal
Morreram às mãos dos árabes
que ágeis em volta giravam
e com leves cavaleiros
depressa os desbarataram
trucidaram saquearam
em poucas horas fatais
Assim acabou a vida
do jovem rei desgraçado
do jovem rei suicida
em vingança contra a sorte
que o fez doente e demente
em vez de são e sensato
Assim morreu um império
que ao fim do mundo chegava
assim começou o quinto
império que nunca será
assim chegámos ao fim
do rei muito desejado
Assim em 4 de Agosto
de 1578
morreu louco e temerário
o senhor de Portugal
morreu ele e a fina flôr
da sua casa real
II
Quase vinte anos passados
apareceu em Madrigal
no deserto de Castela
um pasteleiro parecido
com o rei desaparecido
e em Portugal desejado
Dona Ana de Áustria sobrinha
do rei Felipe II
rei de Espanha e Portugal
recebeu o pasteleiro
na cela do seu convento
e deu-lhe jóias reais
Estavam noivos ou casados
pelo monge Miguel dos Santos
quando Felipe II
prendeu os três e matou
o monge e o pasteleiro
que se dizia ser rei
A pobre Dona Ana de Áustria
foi condenada à clausura
mais dura e mais solitária
por receber no seu quarto
esse D. Sebastião
fosse verdadeiro ou falso
Era isto em Madrigal
longe do mundo e do mar
longe de um país e povo
ainda capaz de durar
outros quatrocentos anos
e durante quantos mais?
Após o grande desastre
sem rei nem roque a reboque
de outros desertos maiores
para lá de longos mares
quem aguarda um rei de fábula
vencido e contudo amado?
Muitos à esquerda e direita
mesmo que não seja rei
mesmo que não traga a lei
mesmo que seja Ninguém
vaga imagem vã miragem
de outro verão em outra idade
Que seja e isso já basta
algo a que a gente se agarre
nesta aridez irreal
que enlouquece e dá coragem
aos cansados de esperar
por promessas de Eldorado
Que a desforra da derrota
venha logo e original
mas não dê muito trabalho
para a gente não cansar
que a vida é curta e confusa
e a morte dura demais
Que o império não exista
senão no sonho é igual
que se prefira sonhar
em vez de ver e olhar
que se force o impossível
é igual tudo é igual
Tudo isto de resto é história
e não sei se tem moral
de um rei louco e de seu duplo
e do duplamente louco
povo deste Portugal.
(gravura e texto in Prelo, 1 – Imprensa Nacional – Casa da
Moeda, Outubro/Dezembro de 1983)
marcadores:
Almeida Faria,
anónimo,
Mário Botas,
Portuguesa
28.2.12
PAUL ÉLUARD
«A POESIA DEVE TER COMO FIM A VERDADE PRÁTICA»
Aos meus amigos exigentes
Se vos digo que o sol na floresta
É como um ventre que se entrega num leito
Acreditais e aprovais os meus desejos
Se vos digo que o cristal de um dia de chuva
Continua a soar na languidez do amor
Acreditais e alongais o tempo-amor
Se vos digo que nas ramagens do meu leito
Faz ninho um pássaro que jamais diz sim
Acreditais compartilhais minha inquietação
Se vos digo que no golfo de uma fonte
Gira a chave de um rio entreaberto o verde
Acreditais-me e mais compreendeis-me.
Mas quando canto sem rodeios a minha rua
E meu país como rua sem fim
Já não me acreditais e partis p'ra o deserto
Pois caminhais sem alvo sem saberdes que os homens
Precisam estar unidos e ter esperança e lutar
P'ra explicar o mundo e para o transformar
Com uma só batida do coração vos levo
Estou fatigado vivi e vivo ainda
Mas espanto-me de falar p'ra vosso agrado
Quando vos queria libertar p'ra vos unir
Não só à alga e ao junco da aurora
Mas aos nossos irmãos que constroem a luz.
(in Poemas Políticos, tradução de Carlos Grifo, editorial Presença,
1973)
23.2.12
PIER PAOLO PASOLINI
AOS ESTUDANTES
GREGOS, DE REPENTE
Recordem-se, jovens vivos (não falo
aos mortos) que é jovem também
o tempo para vós. Aqui olham-vos
como velhos, os que têm a vossa consciência
e também a vossa idade. Um dia,
que para estes vossos irmãos é hoje,
sabereis também vós que o pior inimigo
que vos fere e vos mata é melhor
do que os que mandam neste cinzento
dia do futuro. Os Fascistas não tocam
a alma. Eu sei que no meu país
por vinte anos o tentaram: mas rapazes
e homens ficaram iguais aos de todos os séculos.
Matai-os, metei-os na prisão como
fazem eles. São poucos. Secam
e tornam a crescer como a grama.
O povo era o trigo que não morre.
Agora começa a morrer. Alguém
lhe tocou a sua alma. Rapazes e homens
vivem, selvagens, como num sonho.
São como loucos, não conhecem piedade,
giram, o rosto branco como renegados
por um pouco de riqueza e liberdade
que talvez quisessem mas que não ganharam.
Deram-lha, não de boa mente,
os velhos Antifascistas que são os autênticos Fascistas...
que são os líderes, da Aculturação e não só
tocam as almas mas também as sugam no Centro
como vampiros, deixando os corpos cobertos de sombra
e tísica branca, megeras com grandes cabeleiras de merda
com mais nenhum outro amor do que o do Motor,
porque não? que fazer do Sexo em liberdade?
… … … … … … … … … … … … … …
Amadurece nos campos, entre as pedras, o trigo
com o silêncio e o canto das cigarras:
é ali que nascem os filhos obedientes, os soldados
e os heróis como os de entre vós que estão mortos.
(in Pasolini, Poeta, [tradução,] apresentação e selecção de
Manuel Simões, Plátano editora, 1978 – Sagitário Especial)
22.2.12
INGEBORG BACHMANN
SALMO
1.
Calai-vos comigo, como todos os sinos se calam!
Na placenta do medo
a escória procura alimento novo.
Sexta-feira santa, pendurada no firmamento,
uma mão, faltam-lhe dois dedos,
não pode jurar que tudo,
tudo aquilo não aconteceu e que nada
acontecerá. Mergulha no vermelho das nuvens
afasta os novos assassinos
e liberta-se.
De noite nesta terra
alcançar as janelas, afastar os linhos,
desvendando a intimidade dos doentes,
uma úlcera suculenta, intermináveis dores
para todos os gostos.
Os carniceiros sustém, enluvados,
a respiração dos despidos,
no umbral a lua cai ao chão –
Deixa ficar os cacos, a asa ...
Estava tudo a postos para a extrema-unção.
(O sacramento não pode consumar-se.)
2.
Como tudo é vão!
Arrasa uma cidade,
ergue-te do pó dessa cidade,
assume um cargo
e finge,
para evitares expor-te.
Cumpre as tuas promessas
diante de um espelho cego no ar,
diante de uma porta fechada ao vento.
Virgens são os caminhos nas escarpas do céu.
3.
Oh olhos, queimados na terra, silo do sol,
carregados com o peso da chuva de todos os olhos,
e agora enredados, tecidos
pelas trágicas aranhas
do presente...
4.
Coloca uma palavra
no vale da minha mudez
e planta florestas de ambos os lados,
para que a minha boca
fique toda à sombra.
(de O Tempo Aprazado, tradução de Judite Berkemeier e João Barrento,
Assírio & Alvim, 1992 – Gato Maltês)
21.2.12
MANUEL BANDEIRA
SONHO DE UMA TERÇA-FEIRA GORDA
Eu estava contigo. Os nossos dominós eram negros, e negras
eram as nossas máscaras.
Íamos, por entre a turba, com solenidade,
Bem conscientes do nosso ar lúgubre
Tão contrastado pelo sentimento de felicidade
Que nos penetrava. Um lento, suave júbilo
Que nos penetrava… Que nos penetrava como uma espada de
fogo…
Como a espada de fogo que apunhalava as santas extáticas!
E a impressão em meu sonho era que se estávamos
Assim de negro, assim por fora inteiramente de negro,
– Dentro de nós, ao contrário, era tudo claro e luminoso!
Era terça-feira gorda. A multidão inumerável
Burburinhava. Entre clangores e fanfarra
Passavam préstitos apoteóticos.
Eram alegorias ingênuas ao gosto popular, em cores cruas.
Iam em cima, empoleiradas, mulheres de má vida,
De peitos enormes – Vênus para caixeiros.
Figuravam deusas – deusa disto, deusa daquilo, já tontas e
seminuas.
A turba, ávida de promiscuidade,
Acotovelava-se com algazarra,
Aclamava-se com alarido
E, aqui e ali, virgens atiravam-lhes flores.
Nós caminhávamos de mãos dadas, com solenidade,
O ar lúgubre, negros, negros…
Mas dentro em nós era tudo claro e luminoso!
Nem a alegria estava ali, fora de nós.
A alegria estava em nós.
Era dentro de nós que estava a alegria,
– A profunda, a silenciosa alegria…
(de Carnaval, 1919)
20.2.12
EDMOND JABÈS
A MÁSCARA E OS DIAS
I
Não se constrói sobre a pedra côncava. (Ainda menos sobre a
neve dos picos?)
As recordações vêm aumentar o seu poder sobre o homem à
medida que o objectivo se esfuma.
(Muralhas de sempiternas manifestações de força. Basta a
obstinação de uma lágrima, basta um nada de ar decidido para que o ferimento
seja mortal.)
Amanhã é o dia dos ladrões.
Dos nossos múltiplos rostos, o único persiste; rochedo onde
se apoia a fadiga do mar.
II
O porto mantém a sua palavra. (Manterá o cinto dos afogados?)
Na beira do abismo, cintilante coroa de exílio.
Os mortos participam connosco na eclosão dos enigmas em
garfo que arranham o espaço.
(in A obscura Palavra do Deserto – Uma Antologia, selecção e
tradução de Pedro Tamen, livros Cotovia, 1991 – original de Je Bâtis ma
Demeure, 1959)
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