11.9.05

[o canto e a ceifa I]

DANIEL FARIA

Encosto-me à morte sem amparo ou sombra
Como o grão alheio-me da flor que virá e venho
À superfície do teu sonho

Como se acordasse a mão que semeia
No coração lavrado de quem faz a ceifa
Rebento no interior da morte como o trigo

Rebento no interior do trigo
E de qualquer planta que se assemelhe a ti

(de Explicação das Árvores e de Outros Animais, Fundação Manuel Leão, 1998)

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