12.6.10

FERNANDO ESTEVES PINTO


A ausência é um desejo do silêncio.
Um encontro incomunicável do corpo com as coisas.
Como escutar os sons do leite na profundidade dos seios.

Libertas o pensamento lentamente à espera do dia.
Vem das sombras crescendo o lugar da dúvida.
Dos olhos começa a distância do caminho.

Aqui nasce o tremor das pálpebras,
os anéis da claridade lenta.
A legibilidade fria do vazio.

Através do contacto físico do corpo
subsiste a impenetrável construção do poema.


(de Área Afectada, Temas Originais, 2010)

2 comentários:

jorge vicente disse...

Muito bom mesmo. E parece que vai numa direcção que eu acho muito interessante: é o corpo que escreve o poema, o corpo de dentro, os sons do leite na profundidade do seio,

o som do poema no interior do corpo.

um grande abraço
jorge vicente

José Edward Guedes disse...

É um olhar para as coisas com um olhar que não consigo captar, mas, nem por isso, posso deixar de admirar. Sou poeta do simples. Valeu!
www.nosdominiosdapalavra.blogspot.com caso queira me dar o prazer.