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18.8.11

JOÃO MIGUEL FERNANDES JORGE


27


Recusarei a ave que pergunta
no inverno a floresta que jurei
plantar? E se a asa não passa de
um adeus, depois pedra corroída?

O rosto, rosa e junho caminhando.
Não há terra nem água no nosso
pensamento. Tu, destruída, os olhos
foram verdes ou castanhos?

Não conheço entre amor e festa,
entre erva e dedos. A alma toma fim
em nenhuma destas partes, creio?

Um rei procura os limites do mar,
o poeta o sono através da unidade.
E eu erguendo recordação ou fuga?


(de Sob Sobre Voz, 1971)



Sétima Legião
Os Limites do Mar
(de Mar d'Outubro, 1988)

5.4.11

JOSÉ AFONSO


Não é meu bem


A cama é boa para dormir
- Não é meu bem
A corda é boa para subir
- Não é meu bem
A morte é santa para cumprir
- Não é meu bem
A louça é cara para partir
- Não é meu bem
A cal é branca para encobrir
- Não é meu bem
A banca é boa para falir
- Não é meu bem
A vida é dura para resistir
- Não é meu bem
A porta é boa para se abrir
- Não é meu bem


(do álbum Fura Fura, 1979)

9.11.09

[nos 20 anos da queda do Muro de Berlim]


(voz de João Afonso)

JOSÉ AFONSO

UTOPIA


Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

(do álbum Como Se Fora Seu Filho, 1983)

27.10.09

(Ilha de Santiago, Outubro de 2009)


SÉRGIO GODINHO

Chuvas de Cabo Verde


Há quantos meses não chove
parece que nove
parece que nove
se chover nos três que resta
parece que há festa
parece que há festa

Beleza de Cabo Verde
não se vê do avião
país que é novo tem sede
do que faz fazer o pão
este socalco foi milho
e aquelas pedras, feijão
ensinava a mãe ao filho
repete o filho ao irmão

Há quantos meses não chove
parece que nove
parece que nove
se chover nos três que resta
parece que há festa
parece que há festa

Beleza de Cabo Verde
está na maneira de olhar
árvore que tinha sede
foi-se também emigrar
nela encostado, o emigrante
trinca do fruto da morna
não há nenhum que não cante
a vez em que à terra torna

Beleza de Cabo Verde
está na razão de cantar
música não mata a sede
mas se pudesse matar
com água por melodia
e por batuque irrigado

(do álbum Aos Amores, 1989)



(vozes de Sérgio Godinho e Tito Paris, no álbum O Irmão do Meio, 2003)

6.6.09

[repost]

FAUSTO

EUROPA QUERIDA EUROPA


Europa nascida na Ásia profunda
ó filha do rei fenício Agenor
que Zeus entranhado no corpo de um touro
levou-te p'ra Creta cativo de amor
Europa é de Homero
de helénicas formas
do forum romano e da cruz
de tantas nações
ariana e semita
ventre das descobertas
da luz
do diverso sistema do modo diferente
da era da guerra e agora da paz
és assim querida Europa

vem que eu te quero toda do mar à montanha
vem que eu quero muito mais bela que o mar
vem vencendo cizânias que os povos sem feudos
sempre se amaram brilhantes em todo o lugar
o teu chão não é traste
de meros mercados
de pauta aduaneira
ou cifrão
é um terrunho de almas
uma ideia
um desejo
de uma nova maneira
em fusão
desfazendo complexos d mapas cor-de-rosa
sem a má consciência no verso e na prosa
só por ti querida Europa

para que sejas tu mesma a decidir o teu uso
para que sejas tu mesma ainda mais natural
não me toques o "beat" à americana
que esse já nós conhecemos na versão original
aguenta-te firme
livre de imitações
espera só mais um pouco
já vai
o que resta e o que sobra
aquela mesma saudade
toda a imaginação
ainda mais
não sentes um vago um suave cheiro a sardinhas
a algazarra nas ruas e o troar dos tambores
somos nós querida Europa

(do álbum Para além das Cordilheiras, de 1987)

30.5.09



LEONARD COHEN

Last Year's Man


The rain falls down on last year's man,
that's a jew's harp on the table,
that's a crayon in his hand.
And the corners of the blueprint are ruined since they rolled
far past the stems of thumbtacks
that still throw shadows on the wood.
And the skylight is like skin for a drum I'll never mend
and all the rain falls down amen
on the works of last year's man.

I met a lady, she was playing with her soldiers in the dark
oh one by one she had to tell them
that her name was Joan of Arc.
I was in that army, yes I stayed a little while;
I want to thank you, Joan of Arc,
for treating me so well.

And though I wear a uniform I was not born to fight;
all these wounded boys you lie beside,
goodnight, my friends, goodnight.

I came upon a wedding that old families had contrived;
Bethlehem the bridegroom,
Babylon the bride.
Great Babylon was naked, oh she stood there trembling for me,
and Bethlehem inflamed us both
like the shy one at some orgy.
And when we fell together all our flesh was like a veil
that I had to draw aside to see
the serpent eat its tail.

Some women wait for Jesus, and some women wait for Cain
so I hang upon my altar
and I hoist my axe again.
And I take the one who finds me back to where it all began
when Jesus was the honeymoon
and Cain was just the man.
And we read from pleasant Bibles that are bound in blood and skin
that the wilderness is gathering
all its children back again.

The rain falls down on last year's man,
an hour has gone by
and he has not moved his hand.
But everything will happen if he only gives the word;
the lovers will rise up
and the mountains touch the ground.
But the skylight is like skin for a drum I'll never mend
and all the rain falls down amen
on the works of last year's man.

(do álbum Songs Of Love And Hove, 1970)

25.4.09

"para se ser cidadão era necessário mais alguma coisa do que meter um voto numa urna"

JOSÉ AFONSO






Papuça

Olha enfia a carapuça
Mas não compres o velho fato
De ananás
O estilo não se empresta
E nada tem sentido
A tua falta, meu papuça
Se podes ou não podes
Tanto faz

Experimenta sair
Um pouco, está bom tempo
Na Arrábida para os ninhos
Meu rapaz
Amanhã é feriado em Paio Pires
Aguça
O teu ouvido rouco-mouco
Em aguarrás

A multidão na rua
- É Zé!
Ouve-se a banda tocando
O M. F. A.
Vai o Borges, o Pina, o Xaimite e a Bibas
Balouçando
A revolução é p'ra já

A bota trocada
O canto na varanda
De rota batida
Para Luanda
Só menos um furo
No cinto apertado
É já Primavera
Amar não é pecado
Na fímbria da saia
A lagartixa verde
E um dia alegre
À nossa espera, bebe

Estamos na seca
A paz é pouca
Dorme uma soneca
A tia louca
Limpa os sovacos
Com esse spray
Amanhã é dia
De «Dancing Days»

Põe nessa boca
Uma chupeta
Amanhá é dia
De Dona Xepa

(do álbum Como se fora seu filho, 1983 - no vídeo: ao vivo, no Coliseu de Lisboa, em 29 de Janeiro de 1983)

10.6.08

[da raça I]

SÉRGIO GODINHO

DE CORAÇÃO E RAÇA


"Sou português de coração e raça
Não há talvez maior fortuna e graça"
(De um conhecido hino)

Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha

Agora vamos é ser
donos do nosso trabalhar
em vez de andar para alugar
com escritos na camisa
e o dinheiro que desliza
do salário prá despesa
compro cama vendo mesa
deito contas à pobreza

Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha

Agora vamos é ser
donos do nosso produzir
em vez de ter que partir
com escritos numa mala
e a idade que resvala
do nascimento prá morte
vou pró leste perco o norte
e o meu corpo é passaporte.

Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha

(do álbum À queima-roupa, 1974)

25.4.08

SÉRGIO GODINHO

ISTO ANDA TUDO LIGADO


Ainda não vi a impressionante mariposa ainda não
Ainda não vi a pretendente pesarosa ainda não
Ainda não vi a tarde morna e vagarosa ainda não
Ainda não vi ainda não vi as duas faces da provável solidão

Ainda não vi a bomba H
ainda não vi a de neutrões
ainda não vi os meus travões
a ver se paro antes de chegar lá

Ainda não vi o riso que tudo desvenda ainda não
Ainda não vi o reverendo e a reverenda ainda não
Ainda não vi o leão ferido e a sua senda ainda não
ainda não vi a face clara da possível confusão

Ainda não vi a hora H
ainda não vi a mão em V
ainda não vi o dia D
em que a guerra final começará

Quando eu nascer para a semana ó mana
quando eu nascer para a semana
hei-de ouvir o teu parecer
hás-de me dizer
hás-de me dizer
hás-de me dizer
se é cada coisa para seu lado
ou se isto anda tudo ligado

Ainda não vi as artimanhas da saudade ainda não
Ainda não vi a caravana na cidade ainda não
Ainda não vi a incorruptibilidade ainda não
ainda não vi as duas faces da provável solidão

Ainda não vi a bomba H
ainda não vi a de neutrões
ainda não vi os meus travões
a ver se paro antes de chegar lá

Ainda não vi o abraço à porta da taberna ainda não
Ainda não vi a ideológica lanterna ainda não
Ainda não vi a mão que avança para a perna ainda não
ainda não vi a face clara da possível confusão

Ainda não vi a hora H
ainda não vi a mão em V
ainda não vi o dia D
em que a guerra final começará

Quando eu nascer para a semana ó mana
quando eu nascer para a semana
hei-de ouvir o teu parecer
hás-de me dizer
hás-de me dizer
hás-de me dizer
se é cada coisa para seu lado
ou se isto anda tudo ligado

Ainda não vi a grossa lágrima ao espelho ainda não
Ainda não vi o grande chefe e o seu grupelho ainda não
Ainda não vi o azul-turquesa e o vermelho ainda não
Ainda não vi ainda não vi as duas faces da provável solidão

Ainda não vi a bomba H
ainda não vi a de neutrões
ainda não vi os meus travões
a ver se paro antes de chegar lá
Quando eu nascer para a semana ó mana
quando eu nascer para a semana
hei-de ouvir o teu parecer
hás-de me dizer
hás-de me dizer
hás-de me dizer
se é cada coisa para seu lado
ou se isto anda tudo ligado

(do álbum Na Vida Real, de 1987 e do álbum O Irmão do Meio, de 2003, com Da Weasel e Gabriel O Pensador)

31.10.07

23.7.06

[em face dos últimos acontecimentos]

TROVANTE

Beirute


Quem recordará como foi
Duvido que ainda haja alguém de pé
Que tenha dançado ao som das noites quentes
De Beirute

Será que alguém chora um ausente
Já não há ninguém para ausentar
Já não há ninguém para soluçar
Em Beirute

Em Beirute
Nem o sol nasce
Em Beirute
Como merece
É mais quente que o ar do deserto
É mais escuro que um buraco aberto
Na memória de uma terra ainda morna
Que já não torna
A ser Beirute

Em Beirute há bares fantasma
Onde outrora o amor se acoitou
E a alegria andava lado a lado
Com Beirute

Na terra onde o calor é quem manda
Havia uma cidade que era assim
Dizia nessa altura mais para mim
Do que Beirute

Quando enfim a história virar
Num tempo de arqueólogos errantes
Veremos corpos e ruínas militantes
Por Beirute

Encontraremos gente tão velha
Que nem parece ser da nossa era
Beijaremos os filhos da guerra
E choraremos
Por Beirute

(do álbum Um destes dias, 1990 - Letra de Luís Represas / Música de João Gil)

11.7.06

[depois de ver A Lula e a Baleia e pela memória de Syd Barret]

PINK FLOYD

Hey You


Hey you, out there in the cold
Getting lonely, getting old
Can you feel me
Hey you, standing in the aisle
With itchy feet and fading smile
Can you feel me
Hey you, don't help them to bury the light
Don't give in without a fight

Hey you, out there on your own
Sitting naked by the phone
Would you touch me
Hey you, with your ear against the wall
Waiting for someone to call out
Would you touch me
Hey you, would you help me to carry the stone
Open your heart, I'm coming home

But it was only fantasy
The wall was too high, as you can see
No matter how he tried he could not break free
And the worms ate into his brain

Hey you, out there on the road
Always doing what you're told
Can you help me
Hey you, out there beyond the wall
Breaking bottles in the hall
Can you help me
Hey you, don't tell me there's no hope at all
Together we stand, divided we fall

(do álbum The Wall, 1979)

19.12.05

JOSÉ AFONSO

De não saber o que me espera


De não saber o que me espera
Tirei a sorte à minha guerra
Recolhi sombras onde vira
Luzes de orvalho ao meio-dia

Vítima de só haver vaga
Entre uma mó e uma espada
Mas que maneira bicuda
De ir à guerra sem ajuda

Viemos pelo sol nascente
Vingámos a madrugada
Mas não encontramos nada
Sol e água

De linhas tortas havia
Um pouco de maresia
Mas quem vencer esta meta
Que diga se a linha é recta

(do álbum Fura Fura, 1979)

22.10.05

[contributo de um ouvinte dos Clã para o entendimento desta eleição presidencial - a começar pelo nome do cd]

CARLOS TÊ (letra) / HÉLDER GONÇALVES (música)

NOVAS BABILÓNIAS


Neste tempo de sucessos
de quedas e ascensões
para o topo dos topos

para o gelo dos copos
para a vala das gerações
novos Bogarts em velhas gabardines
novas Madonnas em velhas Marilyns
crestam lendas nos magazines
ao ritmo das ilusões

novas Babilónias erguem-se do pó

e lê-se tudo em diagonal
e tudo chega a horas a Portugal
o comboio está agarrado
por fim o tempo está mesmo ao lado
já chegou o Desejado
e o sonho está normalizado
na suave proporção
de um para x elevado a um cifrão


novas Babilónias erguem-se do pó

tudo é novo e velho num vaivém de espuma
tudo se refunde no brilho da bruma
e vós combatentes de guerras idas
contentes lambendo as mãos do rei Midas
Joanas, Joões de arcas perdidas
saltadores de fogueiras já ardidas

cinzas de cinzas de cinzas
bem-vindos ao império das coisas parecidas

novas Babilónias erguem-se do pó

(do álbum lusoqualquercoisa, 1996)

12.7.05

GNR

Valsa dos Detectives

Tem medo do escuro tal criança sem futuro
è falso velhaco cobarde armado em duro

Vai pelo mundo guiado pela mão
Até depois de morto dá uma volta no caixão

Treme e vacila nem na cama está seguro
Teme que alguém o chame geme sofre de medo puro

Evita o olhar dos mortais que o rodeiam
Esconde-se em mentiras que mesquinhas serpenteiam

É só paranóia mania da perseguição
Desconfiar de todos resulta da sua traição

Letra: Rui Reininho
Música: Toli César Machado


(do álbum Valsa dos Detectives, 1989)

9.7.05

[em face dos últimos acontecimentos, caetanear...]

Everybody knows that our cities were built to be destroyed
You get annoyed, you buy a flat, you hide behind the mat
But I know she was born to do everything wrong whith all of that

*

(O cu do mundo esse nosso sítio)
O crime estúpido, o criminoso só
Substantivo, comum
O fruto espúrio reluz
A subsombra desumana dos linchadores

*

Existirmos - a que será que se destina?

*

A mais triste nação
Na época mais podre
Compõe-se de possíveis
Grupos de linchadores

(retalhos de canções de Caetano Veloso)

[post originalmente publicado em 13 de Março de 2004]

7.7.05

[em face dos últimos acontecimentos]

THE CLASH

LONDON CALLING


London calling to the faraway towns
Now war is declared, and battle come down
London calling to the underworld
Come out of the cupboard, you boys and girls
London calling, now don't look to us
Phoney Beatlemania has bitten the dust
London calling, see we ain't got no swing
'Cept for the ring of that truncheon thing

The ice age is coming, the sun's zooming in
Meltdown expected, the wheat is growing thin
Engines stop running, but I have no fear
'Cause London is drowning, and I live by the river

London calling to the imitation zone
Forget it, brother, you can go it alone
London calling to the zombies of death
Quit holding out, and draw another breath
London calling, and I don't wanna shout
But when we were talking, I saw you nodding out
London calling, see we ain't got no high
Except for that one with the yellowy eyes

The ice age is coming, the sun's zooming in
Engines stop running, the wheat is growing thin
A nuclear era, but I have no fear
'Cause London is drowning, and I live by the river

Now get this

London calling, yes, I was there, too
An' you know what they said? Well, some of it was true!
London calling at the top of the dial
After all this, won't you give me a smile?
London calling

I never felt so much alike alike alike alike

(do álbum London Calling, 1979)

23.6.05

[para a R., porque sim!]

RICHARD RODGERS / OSCAR HAMMERSTEIN

My Favorite Things

Raindrops on roses and whiskers on kittens
Bright copper kettles and warm woolen mittens
Brown paper packages tied up with strings
These are a few of my favorite things

Cream colored ponies and crispapple strudel
Doorbells and sleighbells and schnitzel with noodles
Wild geese that fly with the moon on their wings
These are a few of my favorite things

Girls in white dresses and blue satin sashes
Snowflakes that stay on your nose and eye lashes
Silver white winters that melt into springs
These are a few of my favorite things

When the dog bites
When the bee stings
When I'm feeling sad
I simply remember my favorite things
And then I don't feel so bad

Silver white winters that melt into springs
These are a few of my favorite things

When the dog bites
When the bee stings
When I'm feeling sad
I simply remember my favorite things
And then I don't feel so bad
Then I don't feel so bad

Girls in white dresses
Blue satin sashes
Snowflakes on my eye lashes
Ooh, my favorite things

(in Cem Caminhos, na Voz de Maria João)

26.4.05

ROGER WATERS

WHO NEEDS INFORMATION

Billy
I'm from the valleys
Jim
You're from the valley?
Billy
No, Jim you schmuck, the Valleys
Wales, male voice choirs.
Jim
Whales? Now is this sperm or blue-tip?
Billy
Ha, ha, ha, ha. Very funny Jim
Jim
Sorry
Billy
Me and Benny went out
Jim
Who's Benny?


Me and Benny went out last night
Looking for fun
Supping ale in the moonlight
Waiting for the dawn to come
Benny pointed at a HiFi shop
He said
Hey man look at all the stuff they've got
How'd you make a have out of a have not? Hmmmm
Who needs information
When you're working underground?
Just give me confirmation
We could win a million pounds
Benny climbed up on a footbridge
And he teetered on the parapet
He said can you see the whites of their headlights?
Are they coming yet?
Who needs information
This high off the ground?
Just give me confirmation
We could win a million pounds
Who needs information
When you're living in constant fear?
Just give me confirmation
There's some way out of here
Some way out of here
Some way out of here
Some way out of here
Out of here, some way
Out of here, some way
Out of here, some way out of here
Benny hefted a breezeblock
And tried to let go
Got hung up on a tear drop
So me and Benny went home
Who needs information
When you're living in constant fear?
Just give me confirmation
There's some way out of here
Some way out of here
Some way out of here
Some way out of here
Out of here, some way
Out of here, some way
Out of here, some way out of here
Who needs information yeah
When you're living on borrowed time?
Just give me confirmation
There will be a winner this time
Who needs information
When you're working underground?
Just give me confirmation
We could win a million pounds
Who needs, who needs, who needs information
This high off the ground?
Just give me confirmation
We could win a million pounds - yeah

Morse Code
"it is they that must fight and die ... Herbert Hoover"
Jim
Um
Jim lights a cigarette
Jim
So your brother's in jail?

(do álbum Radio Kaos, 1987)