Mostrar mensagens com a etiqueta Japonesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Japonesa. Mostrar todas as mensagens

12.3.11

KAWABATA BÓSHA


Ali nada senão
O torvelinho de um feto:
Este mundo flutuante.


(tradução de José Alberto Oliveira, in Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro, Assírio & Alvim, 2001)

12.9.05

[o canto e a ceifa IV]

BUSON

Na água profunda
assobia uma foice
ceifando as canas

(versão de Adelino Ínsua, in O Crisântemo Branco - antologia de haiku, Pedra Formosa, 1995)

4.9.05

HISAKI MATSUURA

A gaiola

Vacuidade
Vazio em forma de ovo
Num casaco silêncio fora do tempo
Colecciono aí
Raros, vivos minerais
Que agradam aos adultos garotos
Um bandolim (corpo feminino sem umbigo, cordas partidas)
Um morango (com o seu cálice)
Uma pulseira (de coral, da tia hipermetrope)
Um arranha-céus (maço de cigarros, Lua)

Um hipopótamo (enorme tristeza escorregadia)
Um bombom com whisky (homicida)
- Por exemplo
A estrela do mar seca apanhada na praia
Cada vez mais pequena
Um asterisco cada vez mais pequeno
Que se perderá certamente salvo precaução a tomar
Que desaparecerá numa serapilheira como pó
Ou como um ponto luminoso sobre a página de um livro
- Ou ainda
Uma silhueta sem vida que oscila vagamente
Uma espécie de sombra fútil caída
Sobre a superfície agitada da porta de madeira que range
Sarjeta triste
Bric-á-brac de todos e de todas as cores
Sem peso
A pôr indiferentemente na ordem da crónica
Passarei o meu tempo a dispô-los
De maneira bela e agradável
Uma selha de areia sem areia
Uma borboleta sem asas mica e geada de uma manhã de Verão
Contudo na noite em que a tempestade se aproxima
Posso contentar-me
Aconchegado a um canto do pomar
Sobre a colina de trás sem vento
Nem grito de corvos olho
Os grãos de ervilhas cair
As costas ao vento
É qualquer coisa que me falta e submerge
Pode-se apenas suportar?
Gaiola portátil do "eterno"

(tradução de Adília Lopes, a partir de uma versão francesa, in Bumerangue 04)

25.6.05

MATSUO BASHÔ

O Sétimo mês
a noite do sexto dia
não me parece a de sempre.

Mar bravo:
até à ilha de Sodo
estende-se a Via Láctea

[em nota da edição, refere-se que "no sétimo dia do Sétimo mês celebra-se a festa das estrelas. Segundo a lenda nesse dia reúnem-se duas estrelas [Altair e Vega] enamoradas, que vivem em margens opostas do Rio do Céu (Via Láctea)."]

(de O Caminho Estreito para o Longínquo Norte, em versão de Jorge de Sousa Braga, 1987)

10.6.03

MATSUO BASHÔ
Matsuo Munefusa ou Kinsaku nasceu em 1644, em Ueno, no Japão (Província de Iga).
Quando um seu discípulo lhe ofereceu uma pequena bananeira adoptou para si o nome dessa planta – Bashô – da qual disse gostar precisamente pela sua inutilidade.
Foi viajante e poeta.
Morreu em Osaka em 1694.

O MESMO POEMA, VÁRIAS VERSÕES

Le plus illustre de cet haïku se contente d'évoquer le "ploff!" de la grenouille dans l'étang, qui accroît encore, en l'interrompant un instant, cette liquide, cette muette sérénité.
(Margueritte Yourcenar)

furuike ya
kawazu tobikomu
mizu no oto


[furu=velho / ike=tanque / ya / kawazu=rã / tobikomu=pula para dentro / mizu no oto=de água barulho – Paulo Franchetti]

Versões em português:

(Wenceslau de Moraes:)

Ah, o velho tanque! e o ruído das rãs atirando-se para a água!…

*

Um templo, um tanque musgoso ;
Mudez, apenas cortada
Pelo ruído das rãs,
Saltando à água. Mais nada…

(Jorge de Sena:)

Quebrando o silêncio
Do charco antigo a rã salta
N’água – ressoar fundo.

(Haroldo de Campos:)

o velho tanque
rã salt’
tomba
rumor de água


(Armando Martins Janeira:)

Ah! O velho poço!
uma rã salta
som da água.

(Stephen Reckert:)

O velho charco…
som da água
onde a rã mergulha

(Casimiro de Brito:)

No velho tanque
uma rã salta – mergulha.
ruído na água.

(Egito Gonçalves:)

Uma rã mergulha.
Um velho tanque.
Ruído de água

(Liberto Cruz:)

Um charco antigo
uma rã mergulha
o murmúrio da água

(Paulo Franchetti e Elza Taeko Doi:)

O velho tanque –
Uma rã mergulha,
Barulho de água

(Ana Hatherly:)

Velho tanque sonolento
rã que salta
som de água

(Paulo Rocha com a colaboração de António Reis:)

ah! o velho lago!
e repentina a rã no ar –
…o baque na água

(Jorge de Sousa Braga:)

O velho tanque
Uma rã mergulha
dentro de si

(já agora, a minha versão:)

(eis o poço antigo)
o som do salto da rã
ao entrar na água

Versões em castelhano:

(Octavio Paz:)

Um viejo estanque:
salta una rana izás!
chapaleteo.

(Anónimo?:)

Una rana salta al agua, escucha el sonido.

Versões em inglês:

(R. H. Blyth:)

The old pond:
A frog jumps in, –
The sound of the water.

*

The old pond;
The sound
Of a frog jumping into the water.

*

The old pond
The-sound-of-a-frog-jumping-into-the-water.

(Lafcadio Hearn:)

Old pond – frogs jumped in – sound of water

(Curtis Hidden Page:)

A lonely pond age-old stillness sleeps…
Apart, unstirred by sound or motion… till
Suddenly into it a lithe frog leaps.

(Edward G. Seidensticker:)

The quiet pond
A frog leaps in,
The sound of water

(William J. Higginson:)

old pond…
a frog leaps in
water’s sound

(Allen Ginsberg:)

Th’old pond – a frog jumps in. Kerplunk!

(Bernard Lionel Einbond:)

frog pond…
a leaf falls in
without a sound

(Stryck:)

Old pond
leap - splash
a frog.

(Beilenson:)

Old dark sleepy pool
quick unexpected frog
goes plop! Watersplash.

(Anónimo:)

At the ancient pond
a frog plunges into
the sound of water

(Anónimo:)

old pond
frog jumps in
the sound of water...

(kkizer:)

Listen! A frog
jumping into the stillness
of an ancient pond!

Versões em francês:

(Anónimo:)

Dans le vieil étang
Une grenouille saute
Un ploc dans l'eau

(René Siffert:)

Le vieil étang
une grenouille y saute
plouf

(Etiemble:)

Une vielle mare - Une raine en vol plongeant et l'eau en rumeur