19.1.04

Tenho, nas últimas semanas, retomado a audição da obra de um músico e poeta de que gosto muito: Fausto Bordalo Dias.
É sem dúvida um dos nossos maiores criadores de canções e no entanto pouco se fala dele, não chega a todos os que poderiam desfrutar e aprender algo com ele.

O álbum que oiço agora é de 1987 e chama-se Para além das Cordilheiras (foi reeditado em CD em 1999). É uma profunda e lucidíssima reflexão sobre a Europa.
Neste disco, Fausto fala da maior parte das questões importantes para um reconhecimento de uma Europa das pessoas, vistas não só como cidadãos, ou consumidores, ou eleitores - como pessoas. Fausto canta evocando a História, a Cultura e as culturas, as diferenças e as complementaridades, as necessidades sociais e económicas - os afectos. E tudo isso com excelentes canções, com um sentido da beleza e da profundidade.
Faz-me lembrar como os políticos e os tecnocratas se esquecem tantas vezes (sempre?) da arte nas decisões que tomam, quando esta poderia dar sentido a tantas delas.

1 comentário:

Lia disse...

Do mesmo disco, lindissima a canção: porque me olhas assim?

Lia