(«O Grito» de Munch, revisitação)
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vem de longe a calamidade, a imaginária sombra
dos lábios próxima do grito. era assim já a subida do sangue
e nós de bibe e coiro traçado
aos ombros. não nos pesava ainda a luxúria dos caules
aposta opaca na ardósia das consoantes. a ponte secular entre uma sílaba que se ganha ao hálito dos canaviais
era uma madeira a resistir ao meio dia, o líquido engomado e branco que árvore, irmã?
dava tanta casa a essa fala verde
próxima de todas as margens. sentada na mesa
a mão sempre baixa, vogal do funcho
(de Cesuras, Gota de Água e Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1982)
EDVARD MUNCH
O Grito, 1893
têmpera sobre cartão
83.5 cm x 66 cm
Oslo, Munch-museet
têmpera sobre cartão
83.5 cm x 66 cm
Oslo, Munch-museet
EUSEBIO LORENZO BALEIRÓN
E. MUNCH: «O grito»
O tempo é um estadio
entre o tempo e a morte.
A luz un punto esvaído
en dirección ao vento.
O silencio ten ollos
e míranos do fondo do bosque.
Eu xogo con peixes de trapo,
salouco un anaco no escuro
e berro cara ao río con todas as miñas forzas.
(de Os Dias Olvidados, 1985)
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