6.9.10

DORA RIBEIRO


um poeta se faz no silêncio
em bocas sem palavras
onde as horas são becos escuros
e os lábios difíceis marcas do tempo

um poeta se faz no oco do mundo
em lugares expostos e secretos
minúsculos
mas incendiáveis


(de Outros Poemas, 1997 - in o poeta não existe, Angelus Novus / Cotovia, 2005 - Colecção Inimigo Rumor)

2 comentários:

Márcia Maia disse...

Maravilhoso, o poema. Maravilhoa Dora, de cuja poesia tanto gosto.Bom começar o dia assim.

Um beijo do lado de cá do mar, Rui.

Luis disse...

por momentos visualizei uma ONG que ia pela rua a distribuir poesia como pão para bocas famintas