20.6.05

MARGUERITE DURAS

De onde vinha a fascinação, a graça, essa palavra do instante, do Verão, daquela gente? Impossível saber. Eu não sei. Sem dúvida daquela humildade perante a morte, de certo. Mas também daquela indecência. Daquele acontecimento. Do conjunto dessas coisas e de cada uma delas por si só. Sem que se pudesse dizer porquê nem como. Daquele rio também, daquela luz em que tudo banhava, daquela brancura das falésias brancas, esparsa por toda a parte. Da brancura do giz. Das falésias e da espuma. Do azul esbranquiçado das aves marinhas. E também do vento.

(excerto de Emily L., tradução de José Carlos González, Livros do Brasil, 1988)

1 comentário:

Rute Mota disse...

O poema queimado.