ABELARDO LINARES
NÃO QUERO
Não quero outro abraço a não ser o da tua sombra
de metal humedecido nem outro sorriso
a não ser o das dez e dez no mostrador do meu relógio.
O meu cansaço é um cansaço de pássaro
com uma única asa caindo até ao centro da terra.
Esperar por ti foi tão belo como a aurora boreal
reflectida na fria pupila dos pinguins.
Por ti valeu a vida, por ti a vida foi
aquilo que esperamos e nunca chega, para além da vida.
Mas alguns sonhos não são senão o sonho de um punhado de areia
e o meu olhar contempla agora as infinitas costas do mundo.
(tradução de Joaquim Manuel Magalhães, in Trípticos Espanhóis 1º, Relógio d'Água, 1998)
um par da mesma jarra
Há 13 minutos
Sem comentários:
Enviar um comentário